
Os votos contra de toda a oposição na Assembleia Municipal de Lisboa impediram hoje a viabilização do relatório de gestão e demonstrações financeiras de 2009 da autarquia.As contas do ano passado foram rejeitadas por PSD, PCP, CDS, BE, PPM, MPT e PEV, tendo recebido votos favoráveis apenas do PS, que lidera a maioria camarária, e dos seis deputados independentes eleitos pela lista do partido.
O aumento do passivo, as “baixas” taxas de execução e o facto de o processo de inventariação do património municipal não estar concluído foram algumas das principais preocupações apontadas pelos partidos durante a discussão.
Conforme informação da autarquia, a assembleia municipal não vota relatórios, antes aprecia-os, pelo que a votação de hoje foi uma apreciação desfavorável do documento, mas não interfere na homologação ou não pelo Tribunal de Contas, ao qual o relatório foi já entregue.
Entre as maiores bancadas da oposição, o PSD criticou, por exemplo, o aumento em 16,4 por cento das despesas totais (correntes e de capital), sublinhando que nem mesmo o programa de reabilitação de prédios devolutos (PRED) justificou a diferença, e o aumento do endividamento a terceiros em cinco por cento.
Segundo o deputado Filipe Pontes, o partido não queria que a discussão da proposta decorresse sem serem prestados esclarecimentos sobre uma alteração orçamental apresentada pelo presidente camarário António Costa (PS) em 2009.
De acordo com o PSD, o despacho presidencial que ratificava a alteração foi feito no fim do anterior mandato e tinha de ser submetido à apreciação do executivo na primeira reunião do mandato atual, o que terá acontecido apenas na segunda.
O presidente da bancada do PCP, António Modesto Navarro, justificou o chumbo do relatório com “as baixas taxas de execução” e o facto de “as mais altas serem transferências para outras entidades e não para a reabilitação urbana”, com o “incumprimento” do programa e com o endividamento do município.
“Só prova que a Câmara levanta muitas questões, muitas propostas no papel, e não enfrenta de facto a realidade”, disse à Lusa.
Já o deputado do CDS Diogo Moura referiu na sessão que o relatório de gestão e demonstrações financeiras é “o espelho da administração despesista, intervencionista e centralista de António Costa”.
“Como pode este executivo, que é socialista, conseguir reduzir impostos e despesas e passivo se, ao mesmo tempo, pretende aprovar uma carta estratégica que mais não faz do que aumentar a esfera de atuação da Câmara?”, questionou.
Na sua intervenção, António Costa disse estranhar que os partidos não tenham focado os “três problemas estruturais” das finanças municipais – a falta de evolução da receita municipal, que se mantém “nominalmente congelada há 10 anos”, o “pesado” endividamento a médio e longo prazos e o facto de Lisboa ter uma dimensão de receita proporcionalmente reduzida face à despesa.
“Cobramos imposto automóvel por 170 000 viaturas por ano, mas entram na cidade mais de 400 000 carros. E o mesmo exemplo poderíamos dar a nível de escolas ou do espaço público”, apontou.
in LusaEtiquetas: AML, António Costa, CML, Diogo Moura, economia, Lisboa, Tribunal de Contas