CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
1 - A apresentação de uma equipa de Governo pelo CDS marcou uma considerável diferença nas campanhas políticas em Portugal.
É a primeira vez que, na nossa democracia, um Partido diz, nome a nome, sector por sector, quem é a equipa preparada para assumir responsabilidades.
Ao fazê-lo, o CDS deu um passo no sentido da qualidade da democracia, no que constitui uma oportunidade e um desafio para os Partidos de Governo em Portugal: serem transparentes, serem concretos.
2 – Ontem, em entrevista à SIC, o líder do Partido Socialista declarou que não apresentaria qualquer equipa de Governo antes das eleições.
E para justificar esta posição, o Eng. Sócrates lembrou-se de um argumento sem qualquer sentido: diz o líder do PS que seria uma arrogância apresentar ao povo, antes das eleições, a equipa socialista com que se propõe governar.
A posição do líder do PS é preocupante por três razões.
Em primeiro lugar, apresentar aos Portugueses uma equipa de Governo é um acto de transparência e não de arrogância. Só assim os portugueses podem julgar, antes do voto, se os membros dessa equipa têm mérito profissional e experiência nos assuntos de Estado; só assim os portugueses podem avaliar se há coerência e consistência suficientes para quatro anos que não serão fáceis.
Foi o que o CDS fez. Em vez disso, o PS parece apostado no que mais desacredita a política: pedir o voto primeiro e depois desiludir os eleitores, depois..
Em segundo lugar, a recusa do PS em dizer aos Portugueses quem é a sua equipa de Governo. Junta-se à tentativa do PS esclarecer o menos possível quais serão as suas políticas.
Vejamos a diferença: o CDS pode e quer ser julgado pelo que fez; o PS exige ser eleito, não dizendo para quê nem esclarecendo com quem. O CDS pode ser avaliado pela obra feita, e pelo que quer melhorar: na defesa, na política fiscal, na protecção do ambiente, na solidariedade com os mais pobres, no turismo, no mar, segurança rodoviária, entre outros sectores, temos obra feita, podemos pedir mais responsabilidades ; o PS exige um poder absoluto sem mostrar currículo nem apresentar currículos.
Em terceiro lugar , ao recusar apresentar uma equipa de Governo, o PS alimenta ainda mais as dúvidas sobre a sua capacidade e preparação para quatro anos que precisam de estabilidade e competência. Dois exemplos:
O País tem direito a saber quem será o ministro das Finanças do PS. Pela simples razão de que o desastre orçamental que o PS deixou está na memória dos portugueses. Quem nos garante que aprenderam? O CDS apresenta o Dr. Bagão Félix. O País conhece as suas linhas: equilibrar as contas, baixar o IRS, pôr a pagar impostos quem lhes foge, não ceder a interesses. E o PS, quem apresenta?
Outro exemplo. A economia portuguesa precisa de um relançamento que atraia o investimento, qualifique o factor humano, e crie postos de trabalho. Agora que os sinais de crescimento da economia começaram a despertar, ainda que moderadamente, pode o país confiar no socialismo que nunca foi factor de confiança para a economia? Em princípio, não. Mas pode o PS compensar esse défice de confiança com um ministro de economia experiente, mobilizador, prático e trabalhador?
Não sabemos, porque o PS esconde as suas opções. O CDS apresenta o Dr. Pires de Lima, cujo currículo como gestor de empresas, líder de projectos de sucesso no mundo empresarial é sobejamente conhecido . É a diferença.
Poderia multiplicar exemplos.
Quero alertar os portugueses para este facto: ao apresentar uma equipa de governo o CDS pôs as cartas na mesa.
Quando se recusa dizer ao País quem o acompanha, o PS legitima a ideia de que não está preparado para governar.
É para mim evidente que o Sr. Eng. José Sócrates, se tivesse uma equipa de qualidade já a tinha mostrado.
Paulo Portas
2005-01-24