Opinião - Controlar a fronteira para abrir o coração
O país ficou ontem a saber que a nova lei da imigração só será aplicada em Outubro, lá mais para o Outono. Tão lamentável quanto previsível. A decisão do MAI em suspender o atendimento a milhares de imigrantes é o espelho da indecisão (para não dizer da desorientação) do PS no que toca à imigração. Por razões ideológicas, os socialistas são incapazes de ter uma política rigorosa nas entradas para serem humanistas na integração, como é exigível a um País que é, ainda, um País de emigrantes.
Na altura, o CDS bem avisou que a lei era má. Desde logo porque não se justificava, pois os regimes que regulam a imigração devem ser estáveis. Com esta nova lei, Portugal, em 8 anos vai ter 4 regimes diferentes. Como noutros casos, melhor iria o Governo se criasse condições para a boa execução da lei que encontrou e não mudar só por mudar. O governo reforçou a rede consular existente para ajudar a regular a imigração? Não, fechou consulados! Aumentou o número de oficiais de ligação para reforçar a cooperação com os países de origem? Não, nem mais um foi nomeado! Reforçou os meios humanos e materiais do SEF? Não, anulou concursos. Aumentou os centros de atendimento e acolhimento de imigrantes? Não, optou pelo mais fácil - mudou a lei e para pior!
Na verdade, o PS não conseguiu refrear o seu ímpeto “criativo” na imigração e, para além das autorizações de permanência, apresenta-nos uma medida cujos efeitos já estamos a assistir e em que os mais prejudicados são os imigrantes. Refiro-me ao célebre artigo 59.º que consagra uma inovadora forma para obter um visto: a “manifestação individualizada de interesse da entidade empregadora”. Assim, para além de um contrato de trabalho ou da sua promessa, como é normal, também com uma “manifestação de interesse da entidade patronal” se pode pedir um visto. Mas, em que consiste esta manifestação? Que forma assume? Como impedir que sejam as redes de tráfico ilegal a “manifestarem o interesse”? O que acontece ao imigrante que ao fim de 3 meses em território nacional não vê confirmado esse interesse? Não sabemos!
O “efeito chamada” desta medida, inevitavelmente, originou a ruptura do SEF com múltiplos pedidos de visto, pois apesar de ter profissionais dedicados e competentes, está apenas preparado para o que é normal, não para o que é verdadeiramente extraordinário.
Uma politica de imigração consciente, regulada e integradora não se compadece com experimentalismos. Ao invés, exige regimes rigorosos de entrada capazes de permitir a integração daqueles que, legitimamente, nos procuram para uma nova vida. O PS não aprendeu com o erro dos seus homólogos de Espanha que, em 2004, organizaram um processo de regularização extraordinária onde previam a legalização de 400.000 ilegais e um mês decorrido esse número já tinha aumentado para o dobro. Pouco depois tinham “a braços” mais de um milhão de ilegais que, rapidamente, confluíram para Espanha em busca da sua sorte.
Em suma, os socialistas, de uma vez por todas, têm que perceber que para abrir o coração é preciso primeiro controlar a fronteira.



























