O partido multipessoal
Como militante do CDS fico muito satisfeito com a preocupação demonstrada por tanta gente que não é do CDS com a próxima liderança do CDS. É que esta aparente preocupação está a ser apresentada pela mesma gente que ao longo dos últimos trinta anos vem garantindo que o CDS é um partido unipessoal, que só sabe viver à sombra de uma liderança forte – a tal gente que sempre que um líder partiu, lá repetiu que o CDS não iria durar muito mais tempo. Enquanto isto, o CDS foi Governo, esteve na oposição e de novo voltou ao Governo de Portugal, estando agora de regresso a uma oposição credível e competente, como manda a democracia.
Como militante do CDS, eu sei que os militantes do CDS não estão assim tão preocupados com quem vai ser ou quem não vai ser o próximo líder do partido – ou, pelo menos, não deviam estar porque de outro modo estarão a embarcar nos propósitos alheios de quem não é amigo do CDS e porque os militantes do CDS sabem que o próximo líder irá aparecer naturalmente.
Como militante do CDS fico muito satisfeito por verificar que os militantes e os dirigentes do meu partido estão neste momento muito mais preocupados em debater ideias e muito mais ocupados em apresentar moções de estratégia para os próximos quatro anos.
Porque o tempo de hoje deve servir para debater ideias e formular estratégias nacionais para o presente e para o futuro do CDS – e não para discutir nomes avulsos ou lideranças unipessoais.
Porque o tempo de hoje já provou à saciedade que o CDS é um partido multipessoal – com muitas pessoas novas e muitas pessoas boas, do Norte ao Sul do País.
Como deve ser.
Paulo Pinto Mascarenhas






