Soares, outra vez não!
Assistimos hoje ao anúncio público da candidatura do Dr. Mário Soares à Presidência da República.
Há muito que entendia que esta candidatura se iria concretizar, pelo que não tem qualquer novidade, na forma e no conteúdo.
O grande problema da candidatura não é a idade do Dr. Soares. Mas, o que é extremamente preocupante é que, mais de 30 anos após a revolução de 25 de Abril de 1974, o protagonista do panorama político seja o mesmo.
Que o “novo” candidato da esquerda seja um ex-presidente só revela a falta de renovação da classe política nessa área e, consequentemente, a ausência da afirmação de novos valores.
Conforme pudemos retirar do discurso de apresentação e de todas as afirmações produzidas por dirigentes socialistas, a candidatura do Dr. Mário Soares pretende ser um factor de união de todos os portugueses.
Disse o Dr. Mário Soares que aceitava ser candidato, parecendo querer transmitir que uma vaga de fundo popular e de cidadania esteve na sua base.
Mas não se conhece nenhuma vaga que não seja a vontade do Dr. Soares e do Eng.º Sócrates.
O Dr. Soares apenas concorre para tentar salvar o PS do vazio em que se encontra e com um carácter meramente partidário. É isso que move a sua candidatura.
Depois, como se pode dizer que se pretende unir todos os portugueses, quando nem tem capacidade de unir o próprio partido que lhe dá origem?
No entanto, o Dr. Mário Soares não tem hoje, pela necessária evolução do tempo, que alguns teimam em não compreender, o peso suficiente na sociedade para representar uma união nacional, como de um monarca se tratasse.
Nos últimos meses o agora efectivo candidato vinha afirmando que não voltaria à vida política activa e que uma sua eventual candidatura à Presidência da República não fazia sentido e seria ridículo.
Ou seja, na versão do próprio Dr. Soares esta sua candidatura é uma contradição em si própria.
Defendia, também, o Dr. Mário Soares que um Presidente da mesma cor política do Governo geraria uma situação que apelidou de “ditadura da maioria”.
Ora, como se justifica, assim, assumir uma candidatura quando somos (des)governados por maioria absoluta socialista?
O equilíbrio de poderes defendido pelo Dr. Soares noutras circunstâncias deixou, hoje, de fazer sentido só porque está em causa o Partido Socialista?
As posições assumidas pelo Dr. Mário Soares antes da apresentação da sua candidatura presidencial são as melhores razões para os portugueses não lhe darem o seu voto.
O próprio Dr. Soares deu as razões para não votar nele.
As contradições do Dr. Soares são as melhores razões para não votar nele.






