
Há muito tempo que defendo a ideia do Turismo como um verdadeiro, desígnio nacional.
Esta ideia, coincide aliás, com uma das mais elementares máximas da gestão: Cada um deve fazer o que faz e tem condições de fazer bem. A vocação turística de Portugal, resulta não só das suas excelentes condições climatéricas e fantásticas características naturais e paisagísticas.
Estas fazem do nosso “sol e praia” forçosamente um ponto forte. Mas, hoje a braços com uma concorrência muito forte de novos destinos, a sul e a oriente, mais exóticos, com unidades mais modernas e preços imbatíveis.
Assim sendo, a nossa competitividade tem de ser encontrada em factores de diferenciação e qualificação como sejam, a valorização com objectivos turísticos do nosso património cultural, arquitectónico e monumental e, sobretudo, daquilo que sendo natural nos portugueses deve ser tratado, ainda assim, de forma competente e profissional que é o chamado “conceito de bem receber”.
Tendo em conta que o sector do Turismo é inequivocamente um pilar do nosso desenvolvimento económico. Porque capta investimento, cria valor, novos postos de trabalho e ajuda a fixar os meios de produção e as populações.
Não esquecendo que o peso no produto interno bruto da actividade turística, em Portugal. Nem o elevado volume dos gastos dos turistas, e ainda que mais de dez por cento da população portuguesa tem o seu emprego ligado ao sector de turismo. Não ignorando ainda que comparados o valor da receita turística com o valor das exportações, esta corresponderá sensivelmente a vinte e cinco por cento daquele valor global. Tendo em consideração o rumo que o sector está a seguir e as tendências internacionais relativas ao mesmo, importa fazer-mos uma ou outra reflexão, de natureza estratégica.
A primeira, para pensarmos se a actual lógica de aprovação propagandística de investimentos com base nos PINS (projectos de interesse nacional) ou seja, com base num regime de excepcionalidade, transformada em regra, corresponde, efectivamente, ao interesse nacional e ao modelo certo do desenvolvimento do turismo. Ou seja, se os 35 PINS, os 61 novos resorts, os 67 novos hotéis e as dezenas de milhares de novas camas, foram do ponto de vista do ordenamento do território, do ponto de vista de um conceito estratégico de desenvolvimento e do ponto de vista das tendências de evolução do mercado e qualificação do nosso turismo suficientemente ponderados ou, pelo contrário, correspondem a uma espécie de “desenvolvimentismo” sem visão, nem conceito global.
Isto, no momento em que se ouvem e se lêem as primeiras opiniões que alertam contra um possível excesso de oferta. Opiniões que não só têm eco no sector, como especialmente quando tem origem nalgumas multinacionais especializadas e conhecedoras de alguns dos erros estratégicos cometidos, por exemplo, aqui ao lado em Espanha, devem ser ouvidas.
Sou insuspeito de ser contra os bons investimentos.
Mas o risco, é o de que se invista muito em quantidade, seguramente. Mas em qualidade, duvidosamente.
Se entrarmos em
http://www.visitportugal.com/ (site que em tempos tive a honra de inaugurar) encontramos hoje o nome de Portugal com letra pequena e ALLGARVE em letras garrafais.
O problema, além do disparate da designação, é o de sabermos que o que o Algarve precisa fundamentalmente é de qualificação, e não de um Algarve para todos, sem ordenamento, em que vale tudo, e onde acabará tudo ao molho, e nem a fé em Deus nos safará.
A segunda, para registar a ausência de soluções estruturais de enquadramento, como seria a tantas vezes anunciada, Lei das Regiões de Turismo.
No momento em que se extinguem agencias de promoção turística, sem que se vislumbre alternativa. A definição do papel, das competências, e a delimitação geográfica das respectivas áreas de actuação, no que concerne às regiões de turismo, seria fundamental. Pelo contrário, limitamo-nos ao PENT, que enquanto plano estratégico resume o essencial de todos os anteriores, com uma nova assinatura. À sua revisão, e ao “REPENT”, até que o titular se arrependa, e o reveja novamente. Bem como, a uma nova legislação das agências de viagens com aspectos que se nos afiguram muito criticáveis tendo em atenção aquela actividade.
Por último, merece reflexão para além da questão dos grandes investimentos dispensando de desenvolver, aqui, mais uma vez a questão do aeroporto e o erro da Ota, aquela que devia ser, de facto, a grande preocupação para o desenvolvimento e qualificação do nosso turismo: A formação profissional.
Esta, não se compadece numa visão tímida ou estritamente limitada ao que as instituições públicas (ainda que com qualidade) podem oferecer. Necessitaria de se tornar uma verdadeira chave do nosso sucesso, trabalhando-se numa parceria permanente entre as instituições de ensino, o Estado e as associações e os grupos empresariais, reproduzindo o que se faz de melhor em termos de qualificação.
Talvez esta, das várias reflexões, seja a mais importante, para não ficarmos em mais do mesmo, e encontrarmos um modelo de diferenciação e qualificação, assente numa autêntica visão estratégica.