
O líder do CDS-PP deu hoje nota negativa às políticas de três anos do Governo PS e acusou o primeiro-ministro de não ter "bom senso" em matérias como a saúde, fisco, segurança ou educação.
"O que mais falta ao engenheiro Sócrates é bom senso na Governação do País", declarou Paulo Portas, durante uma visita ao comando da PSP de Faro, Algarve, precisamente no dia em que o PS se prepara para um comício no Porto no âmbito de três anos de mandato.
"O que mais tem faltado neste Governo é bom senso", reiterou o líder do CDS, questionando se seria de bom senso "fechar urgências sem garantir alternativas", "fazer uma avaliação dos professores a meio do ano lectivo" ou "cancelar as admissões na PSP e na GNR durante um ano por teimosia com a criminalidade séria que está no nosso País".
Paulo Portas cresceu nas críticas ao Governo de José Sócrates e defendeu que também não era de bom senso "pôr o fisco a arrecadar receita não em função do que a lei permite, mas em função das necessidades do ministro das Finanças mesmo pisando os direitos dos contribuintes. Isto não é bom senso", mencionava.
Depois de dar nota negativa aos três anos de políticas socialistas e de mostrar um "cartão vermelho" ao líder do PSD, Paulo Portas mencionou que o CDS pode ir "mais longe" e tem uma "responsabilidade acrescida" como uma alternativa para o País.
Esta semana, em entrevistas, "ouvi o engenheiro Sócrates e achei-o esgotado, além de aquilo me soar um pouco a artificial. Ouvi depois o doutor Menezes, não consegui ouvir falar do País, nem dos seus problemas e isto significa uma responsabilidade acrescida do CDS", disse Paulo Portas, assumindo que ficou "um pouco deprimido" depois de ouvir Sócrates nas entrevistas.
O líder do CDS reiterou que o "País tem de ter solução" e acredita que o CDS possa ir mais longe com base no "trabalho focado, concreto, atento aos problemas das pessoas".
O CDS tem "sido uma oposição que em muitas matérias tem tido razão", recordou Paulo portas dando como exemplos o "estatuto do aluno", "avaliação dos professores na questão das notas", os "abusos da ASAE" e "retroactivos dos pensionistas".
O líder do CDS recordou que o seu partido teve também razão na questão dos efectivos da polícia quando anunciou que "se não houvesse demissões íamos ter mais aposentados do que entradas".
A área da saúde também não foi esquecida, com o líder do CDS a puxar os triunfos para o seu partido sobre matérias da unidose, vacina contra o cancro do colo do útero ou dos remédios para diminuir a dor em pessoas com doenças terminais.
"Eu acho extraordinário que um Governo que todos os dias diz que é reformista que a unidose vai avançar numa farmácia, quando o País tem 2774 farmácias. Isto é que é coragem. Isto é que é defender o doente", questionou Paulo Portas.
As dívidas do Estado também não foram esquecidas, com Paulo Portas a recordar que quando um contribuinte deve ao fisco, o seu nome vai parar à Internet, mas Paulo Portas defende que quando o "Estado deve aos seus fornecedores, os cidadãos devem conhecer os departamentos do Estado que devem, quanto deve, há quanto tempo e porque é que devem".
Apesar de referir que o Governo deu um "pequeno passo" em matéria de divulgar as dívidas, Portas frisou que "há falta de boa vontade nesta matéria".
"Então faz sentido que se publiquem as dívidas do Estado excepto as das câmaras municipais, excepto as dos institutos públicos, excepto as das empresas públicas, excepto as das sociedades anónimas de capitais públicos?", questionou Paulo Portas, observando que com estes critérios não se saberão, por exemplo, as dívidas dos hospitais ou das empreitadas.
Paulo Portas está no segundo dia de visita a vários concelhos algarvios e tem participado em plenários concelhios de militantes.
Hoje, o líder do CDS-PP tem previstas cinco reuniões, com militantes de Vila Real de Santo António, Alcoutim, Castro Marim, Olhão, Tavira, São Brás de Alportel, Loulé e Albufeira.