Opinião - Uma época diferente
Numa época política, que tradicionalmente é marcada por episódios surreais e protagonistas virtuais, há este ano algumas evidências que merecem registo e serão, provavelmente, muito importantes para os próximos tempos.
É certo que, cada vez mais, há um desinteresse da sociedade pela política, e, por muito que custe, há que assumir que a culpa não é só de quem se vai desinteressando. Mas também e, muitas vezes, de quem promove esse desinteresse. Do cinzentismo e quase monopólio do politicamente correcto dificilmente poderia resultar um grande envolvimento ou participação das pessoas que vão vendo os seus problemas agravados.
O facto de para a eleição da maior câmara do país terem votado menos de metade dos eleitores inscritos foi o mais duro, mas claríssimo, reflexo desta realidade. Será este um caminho irreversível ou poderá haver factos que façam voltar a sobressair as diferenças entre os políticos e as suas políticas?
É claro que falta à política em Portugal autenticidade e coragem. É evidente que compensa mais parecer bem, que fazer melhor. É inegável que vale mais ser bem visto que ver mais longe. Tudo isto fez com que parte significativa da classe política se refugiasse num guião pré-definido de uma tragédia anunciada.
Desta tragédia era principal protagonista um Primeiro-Ministro que tinha como principal qualidade parecer fazer o que outros não haviam feito e não ser muito de esquerda ou de direita, antes pelo contrário. Para além disso, o próprio dizia-se corajoso e, acima de tudo, promotor da Justiça.
Assim fomos vivendo, contemplando a graça do estado de tão superior personagem. Dos arautos do politicamente correcto ouvíamos os mais diversos aplausos: “É sem dúvida corajoso…” diria um; “Moderno e inovador” acrescentaria um outro.
Tudo ia correndo com um pequeno senão, as pessoas continuavam a ter as mesmas dificuldades, ou até maiores. Pior, não conseguiam ver de que forma se poderia reflectir nas suas vidas essa grande graça que era beneficiar da governação Socrática.
Eis senão quando em meados do corrente ano, tudo se foi tornando mais turvo. O Primeiro-Ministro foi perdendo a graça e o estado foi mostrando a sua natureza. Foram aparecendo os Ministros ao mesmo tempo que se revelava a arrogância do seu Primeiro...
Pouca Educação a de manter uma Directora que insistiu na perseguição política por delito de opinião. Mais insólito ainda ser a Federação do PS/Porto a justificar a continuidade da Directora da DREN afirmando que esta está a fazer um bom trabalho. Para o PS, só se for…
Falta de Cultura ao prescindir de uma Directora com provas dadas e visão de futuro. Como é possível que depois dos excelentes resultados de Dalila Rodrigues à frente do Museu Nacional de Arte Antiga, o Ministério da Cultura prescinda dos seus serviços por esta ter ideias diferentes, por sinal bem melhores, sobre a política cultural.
Má Administração Interna a de deixar sair o número dois de um governo maioritário para governar uma Câmara minoritária. Agravada pelo facto de fazer uma coligação, também minoritária, com a extrema-esquerda. De um governo quase iluminado a uma governação refém do trotskísmo…
Ingratidão até, a de querer impor, aos até há pouco tão úteis jornalistas, um estatuto limitativo da sua liberdade. E quem não se lembra da soberba, pré-veto, com que o Primeiro-Ministro respondeu a Ricardo Costa sobre esta matéria. Qual será a atitude pós-veto? O que fará o PS na Assembleia da República, submete-se à posição do Presidente da República perdendo força ou desafia o PR perdendo conforto institucional? O que parece certo é que o PS sairá sempre a perder.
Parece claro que a próxima época política tem tudo para ser diferente das anteriores. Se o PS está mais exposto, a oposição não pode perder a oportunidade. Resta saber como a poderá aproveitar.
O PSD aproveitou para abrir mais uma crise interna e realizar outra das sessões contínuas de Directas M&M’s (Mendes-Menezes). O PCP prepara-se para festejar os 90 anos da sangrenta Revolução de Outubro, enquanto faz psicanálise sobre o livro de Zita Seabra. O Bloco de Esquerda aproveitou a oportunidade para se juntar ao PS em Lisboa.
Há espaço para uma oposição que torne claras as fragilidades do PS, apresentando uma agenda alternativa e credível. É por aí que irá o CDS/PP, certamente com muitos dos que agora estão alheados da política.
É certo que, cada vez mais, há um desinteresse da sociedade pela política, e, por muito que custe, há que assumir que a culpa não é só de quem se vai desinteressando. Mas também e, muitas vezes, de quem promove esse desinteresse. Do cinzentismo e quase monopólio do politicamente correcto dificilmente poderia resultar um grande envolvimento ou participação das pessoas que vão vendo os seus problemas agravados.
O facto de para a eleição da maior câmara do país terem votado menos de metade dos eleitores inscritos foi o mais duro, mas claríssimo, reflexo desta realidade. Será este um caminho irreversível ou poderá haver factos que façam voltar a sobressair as diferenças entre os políticos e as suas políticas?
É claro que falta à política em Portugal autenticidade e coragem. É evidente que compensa mais parecer bem, que fazer melhor. É inegável que vale mais ser bem visto que ver mais longe. Tudo isto fez com que parte significativa da classe política se refugiasse num guião pré-definido de uma tragédia anunciada.
Desta tragédia era principal protagonista um Primeiro-Ministro que tinha como principal qualidade parecer fazer o que outros não haviam feito e não ser muito de esquerda ou de direita, antes pelo contrário. Para além disso, o próprio dizia-se corajoso e, acima de tudo, promotor da Justiça.
Assim fomos vivendo, contemplando a graça do estado de tão superior personagem. Dos arautos do politicamente correcto ouvíamos os mais diversos aplausos: “É sem dúvida corajoso…” diria um; “Moderno e inovador” acrescentaria um outro.
Tudo ia correndo com um pequeno senão, as pessoas continuavam a ter as mesmas dificuldades, ou até maiores. Pior, não conseguiam ver de que forma se poderia reflectir nas suas vidas essa grande graça que era beneficiar da governação Socrática.
Eis senão quando em meados do corrente ano, tudo se foi tornando mais turvo. O Primeiro-Ministro foi perdendo a graça e o estado foi mostrando a sua natureza. Foram aparecendo os Ministros ao mesmo tempo que se revelava a arrogância do seu Primeiro...
Pouca Educação a de manter uma Directora que insistiu na perseguição política por delito de opinião. Mais insólito ainda ser a Federação do PS/Porto a justificar a continuidade da Directora da DREN afirmando que esta está a fazer um bom trabalho. Para o PS, só se for…
Falta de Cultura ao prescindir de uma Directora com provas dadas e visão de futuro. Como é possível que depois dos excelentes resultados de Dalila Rodrigues à frente do Museu Nacional de Arte Antiga, o Ministério da Cultura prescinda dos seus serviços por esta ter ideias diferentes, por sinal bem melhores, sobre a política cultural.
Má Administração Interna a de deixar sair o número dois de um governo maioritário para governar uma Câmara minoritária. Agravada pelo facto de fazer uma coligação, também minoritária, com a extrema-esquerda. De um governo quase iluminado a uma governação refém do trotskísmo…
Ingratidão até, a de querer impor, aos até há pouco tão úteis jornalistas, um estatuto limitativo da sua liberdade. E quem não se lembra da soberba, pré-veto, com que o Primeiro-Ministro respondeu a Ricardo Costa sobre esta matéria. Qual será a atitude pós-veto? O que fará o PS na Assembleia da República, submete-se à posição do Presidente da República perdendo força ou desafia o PR perdendo conforto institucional? O que parece certo é que o PS sairá sempre a perder.
Parece claro que a próxima época política tem tudo para ser diferente das anteriores. Se o PS está mais exposto, a oposição não pode perder a oportunidade. Resta saber como a poderá aproveitar.
O PSD aproveitou para abrir mais uma crise interna e realizar outra das sessões contínuas de Directas M&M’s (Mendes-Menezes). O PCP prepara-se para festejar os 90 anos da sangrenta Revolução de Outubro, enquanto faz psicanálise sobre o livro de Zita Seabra. O Bloco de Esquerda aproveitou a oportunidade para se juntar ao PS em Lisboa.
Há espaço para uma oposição que torne claras as fragilidades do PS, apresentando uma agenda alternativa e credível. É por aí que irá o CDS/PP, certamente com muitos dos que agora estão alheados da política.
João Almeida
Secretário-Geral do CDS-PP
publicado no Semanário






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