Paulo Portas Quer Acautelar
Qualidade do Grupo Parlamentar
O líder do CDS, Paulo Portas, não quer que aconteça ao partido o que aconteceu em 2002 - quando o grupo parlamentar ficou muito desfalcado devido à ida dos principais nomes para o governo - e decidiu acautelar a qualidade da bancada democrata-cristã. Por isso, fez questão de controlar mesmo os nomes que vão em lugar eventualmente não elegível.
As listas do CDS foram aprovadas já na madrugada de ontem. A reunião do conselho nacional do partido decorreu até às quatro da manhã, apesar de não ter havido contestação aos nomes propostos. Terá havido apenas alguma tensão em relação a escolhas para terceiros e quarto lugares, em princípios não elegíveis, mas que implicavam com nomes indicados pelas concelhias ou distritais. A proposta da direcção acabou por ter aprovada com apenas uma abstenção. Mas, à hora da votação, dos 148 conselheiros que estavam no início da reunião, já só resistiam 121.
À saída do conselho nacional, Portas destacou as candidaturas de Luís Nobre Guedes e Narana Coissoró por círculos eleitorais de risco como um "sinal de que o partido vai para eleições com a consciência tranquila". Guedes lidera a lista de Coimbra e Narana a de Faro, onde os democratas-cristãos ficaram em 2002 a mil votos de eleger um parlamentar.
"Quando pessoas como estas preferem círculos de risco para conseguir mais deputados para o CDS, é um sinal de que o partido não é cobarde e vai para estas eleições sem medo e de consciência tranquila", sublinhou Paulo Portas aos jornalistas.
O líder do CDS fez ainsa questão de acentuar a forma como decorreu a elaboração das listas, considerando que o CDS "provou mais uma vez que é um partido sossegado, estável e confiável".
"As questões não foram discutidas nos jornais e, no momento próprio, as listas foram aprovadas com cerca de 120 votos a favor e apenas uma abstenção", realçou.
Questionado sobre se critica a forma como decorreu o processo de formação de listas no PSD, Portas recusou-se a fazer qualquer apreciação negativa. "Faço campanha pela positiva, sobretudo em relação ao parceiro de Governo", disse.
Portas fez uma longuíssima intervenção no início do conselho nacional, a que se seguiu um discurso de Nobre Guedes. Foi uma "reunião vitamínica", disse ao PÚBLICO um dirigente democrata-cristão, querendo com isso dizer que os discursos foram de mobilização e no sentido de incutir confiança no partido.
No seu discurso, Portas aproveitou para fazer um elogio a Narana Coissoró, que, sendo um histórico do partido, demorou apenas 15 minutos para aceitar concorrer por Faro. Em 2002 foi cabeça de lista por Setúbal, onde o CDS elege um deputado.
O cuidado de Portas com o seu futuro grupo parlamentar foi ao ponto de controlar os nomes de Lisboa até ao sétimo (o CDS costuma elegeu em 2002 quatro deputados". Assim, depois de Telmo Correia, ministro do Turismo, vai o secretário-geral do partido, Luís Pedro Mota Soares, o deputado João Rebelo e o líder da distrital, António Carlos Monteiro. O líder da Juventude Popular, João Almeida, desceu do quarto para o quinto lugar pela capital e segue-se-lhe Mariana Ribeiro Ferreira, chefe de gabinete de Telmo Correia, e Pedro Pestana Bastos.
Em Braga, onde o líder parlamentar, Nuno Melo, é o primeiro da lista, Portas colocou em segundo lugar o seu chefe de gabinete enquanto ministro de Estado, José Bourbon Ribeiro.
No Porto, a seguir a António Pires de Lima, vice-presidente do partido, os nomes são Álvaro Castelo Branco, líder da distrital, e Diogo Feio, secretário de Estado da Educação.
Lobo Xavier mandatário no Porto
Ontem, foram anunciados os mandatários das candidaturas do CDS nos dois principais distritos. Lobo Xavier e Abel Pinheiro são mandatários das candidaturas do CDS/PP às legislativas pelos círculos do Porto e de Lisboa. Segundo Álvaro Castelo Branco, líder da distrital do Porto, o convite a Lobo Xavier foi endereçado pelo cabeça de lista do distrito, António Pires de Lima, e foi aceite quarta-feira à noite.
Cortesia: Público, com Lusa






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