
O PSD e o CDS-PP na Câmara de Lisboa votaram hoje contra a fixação de novas interpretações do Regulamento Municipal de Urbanização e Edificação (RMUEL), que consideram prejudiciais para o município, o que não impediu, contudo, a sua aprovação.
A definição das interpretações, proposta pelo presidente do executivo, o socialista António Costa, foi viabilizada pela maioria liderada pelo PS e pelo PCP.
Com a decisão, não ficam sujeitas ao regulamento as pretensões urbanísticas cujos processos tiveram origem antes da entrada em vigor no documento e que “ainda não foram objeto de decisão final consolidada na ordem jurídica”.
A não aplicação do regulamento (que diz respeito, portanto, aos processos urbanísticos pendentes) é fixada independentemente das “transformações procedimentais” decorrentes, mas desde que dessas alterações não resulte num aumento da superfície de pavimento pretendido.
A proposta define também que obras de construção novas ou de ampliação de edifícios já existentes sejam consideradas “operações urbanísticas com impacte relevante ou semelhante a uma operação de loteamento” se dessas intervenções resultar, por exemplo, a constituição de uma superfície de pavimento igual ou superior a 1800 metros quadrados (na soma da área pré-existente com o acréscimo) ou a construção de novos arruamentos.
A nível das construções de impacte relevante ou semelhante a operação de loteamento, fica também entendido que o cálculo de cedências ou compensações deve incidir “apenas sobre a ampliação” ou, no caso de novas construções, “sobre o aumento da superfície de pavimento” face à situação pré-existente, desde que não haja demolição ou desde que a demolição seja licenciada.
Para o vereador do CDS-PP, António Carlos Monteiro, as mudanças constituem uma “grande trapalhada”. “Com isto, independentemente do projeto, desde que haja um número de processo, pode-se fazer o que se quiser”, sustentou.
O autarca defendeu que a aprovação de hoje significa “deitar fora” o regulamento, “põe em causa a própria segurança jurídica” e parece uma “interpretação feita à medida” para facilitar a viabilização de projetos que aguardam licenciamento.
Por isso, o vereador questionou, sem obter resposta, quantos projetos estão em causa, quanto perde a Câmara nas contrapartidas e que projetos mais emblemáticos vão beneficiar destas interpretações.Segundo o CDS-PP, ao basear-se o critério de aplicação de isenções no tempo (entrada antes ou depois do RMUEL) está-se a deitar fora contrapartidas.
Também a vereadora social democrata Dina Vieira discordou que se considere projetos novos aqueles que foram entregues depois do regulamento de urbanização.
Dina Vieira defendeu que o documento hoje aprovado, “com uma intenção que o PSD não entende”, beneficia os particulares e não a Câmara.
A vereadora criticou também o facto de a proposta votada ser uma segunda versão da original redigida durante a própria reunião, na sequência de sugestões de vereadores da maioria liderada pelo PS e do PCP.
“Mostra que a maioria não prepara as suas propostas”, advogou.
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