terça-feira, abril 21, 2009

CDS questiona António Franco sobre contas de investimento do BPN

O CDS vai questionar o antigo administrador do BPN António Franco, que hoje está a ser ouvido à porta fechada na comissão inquérito, sobre o funcionamento das chamadas contas de investimento, que eram consideradas produtos fora do balanço.
Em causa estão aplicações financeiras de rentabilidade garantida, realizadas com dinheiro dos clientes e que ofereciam uma remuneração superior à rentabilidade real do investimento. Em 2008, a taxa de juro deste produto terá sido de sete por cento.
À margem da audição parlamentar de António Franco, que hoje presta esclarecimentos pela segunda vez na comissão de inquérito, o deputado centrista Nuno Melo revelou que uma das perguntas que colocará ao antigo administrador prende-se com o funcionamento das referidas contas, que eram identificadas no banco como sendo um produto fora do balanço.
O CDS quer saber quem no BPN tinha conhecimento deste produto e de onde vieram os fundos para pagar aos clientes a diferença de 23 milhões de euros entre as remuneração devidas e o rendimento real no ano passado, antes de as irregularidades no banco terem sido tornadas públicas.
Nuno Melo adiantou que tem na sua posse um e-mail enviado a 700 gestores de conta do banco em que foram divulgados os detalhes da aplicação financeira, que aparece repetidamente identificada como um produto fora do balanço.
Ao que o PÚBLICO apurou, o e-mail terá sido enviado primeiro a vários directores do banco (alguns dos quais já foram ouvidos pelos deputados), que o difundiram depois pela rede comercial com a indicação de tratar-se de um produto “fora do balanço, com características particulares e que não se adequa a todos os perfis de clientes e cuja operativa é totalmente manual, pelo que a aplicação é para divulgação e colocação restrita”.
Na primeira audição no Parlamento, António Franco, que está a colaborar com as autoridades nas investigações ao BPN e SLN, revelou aos deputados que o sistema informático do BPN permitia acesso aos registos de operações do Banco Insular, instituição utilizada para esconder prejuízos e imparidades, que também podiam ser consultados pelo Banco de Portugal (BdP).
O antigo administrador também nomeou o antigo braço direito de Oliveira e Costa, Luís Caprichoso, como sendo o autor de muitas das ordens para a realização de operações para o banco Insular.
Estas declarações foram consideradas pelo BdP como “confissão pública” de actos irregulares, passíveis de levar à inibição do exercício de cargos no sistema financeiro, pelo que Franco está hoje a responder aos deputados à porta fechada.
Nesta segunda audição, o CDS vai ainda vai requerer de António Franco esclarecimentos sobre o número de accionistas do grupo que tinham financiamentos junto da instituição cabo-verdiana e, em particular, quais os accionistas do conselho superior do banco (onde se reuniam os principais investidores) que o tinham em nome próprio ou através de empresas por si controladas.
In Público

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