sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Portas desafia Sócrates a aceitar factor de correcção para pensões mais baixas

O líder do CDS-PP desafiou ontem o primeiro-ministro que "deixe aprovar", sexta-feira, no Parlamento, o projecto que introduz um factor de correcção da inflação para compensar a perda de poder de compra dos pensionistas.
O desafio foi feito por Paulo Portas após uma visita ao Centro Social Paroquial São Jorge de Arroios, em Lisboa, onde foi recebido na sala de convívio ao som do hino de Portugal - cantado pelos idosos - na véspera da discussão do projecto de lei do partido na Assembleia da República.
"Se quer dar mais importância às políticas sociais, como disse no debate quinzenal, então deixe aprovar no Parlamento a proposta do CDS-PP que visa defender o poder de compra dos reformados. É uma proposta aceitável e razoável", disse Portas aos jornalistas.
O CDS-PP quer, se a inflação registada for superior à inflação prevista, os reformados, "especialmente os que têm pensões mínimas e de sobrevivência", tenham "pelo menos" o valor da pensão corrigido.
"Para que, pelo menos, não percam o poder de compra", argumentou o líder dos democratas-cristãos, lembrando que há cerca de 1,7 milhões de portugueses com pensões baixas - cerca de 230 euros.
"É um acto de justiça", insistiu.
O aumento do complemento solidário do idoso, anunciado pelo primeiro-ministro, José Sócrates, no debate quinzenal de quarta-feira na Assembleia da República, sublinhou Portas, "apenas abrange 62 mil idosos".
E "toda a gente percebeu", segundo disse, que "com os aumentos do pão, da electricidade e do gás, da água, dos passes sociais" acima do valor da inflação (2,4 por cento) os idosos com pensões mais baixas vão perder poder de compra.
Paulo Portas lembrou que o Governo socialista de José Sócrates "acabou com o processo de convergência de pensões", e que, nos anos em que o CDS-PP esteve no Governo com o PSD, de 2002 a 2005, os idosos com pensões mais baixas tiveram aumentos de 36 euros, contra os actuais 13 euros com o executivo do PS.
Apesar de não ter falado no desafio a Sócrates, o presidente do CDS-PP já tinha dito aos idosos, reunidos na sala de convívio do centro social, que "a prioridade das políticas sociais em Portugal devem ser os idosos".
E pediu-lhe que "pensassem" no que o executivo socialista fez aos pensionistas: sujeitou as pensões mais baixas ao IRS, reduziu as comparticipações dos medicamentos, por exemplo.
Paulo Portas tirou a conclusão para dizer que o Governo do PS sofre hoje de "um défice social muito grande".
Os idosos, que antes tinham cantado o hino, gostaram do que ouviram de Portas e bateram palmas.
Pouco antes de o líder do CDS falar, alguns dos idosos fizeram pedidos de ajuda - desde uma mulher que se queixou que o tecto da sua casa caiu, problema que o senhorio não resolve, até outra que pediu a Portas para ajudar a "arranjar uma carrinha" para os passeios do centro de dia.

CDS/Lusa