quinta-feira, novembro 16, 2006

Nogueira Pinto cumpre

A vereadora do CDS na Câmara de Lisboa, Maria José Nogueira Pinto, recusou hoje responsabilidades pelo fim da coligação que mantinha com o PSD e devolveu ao presidente da Câmara as acusações de quebra de lealdade.
"Foi por iniciativa do professor Carmona Rodrigues que a coligação se rompeu em Lisboa", disse aos jornalistas numa conferência de imprensa, após um almoço na sede do CDS, onde apresentou o plano de revitalização para a Baixa/Chiado.
Nogueira Pinto sublinhou que a lealdade é "um sentimento recíproco" e que "essa lealdade não foi cumprida" quando Carmona Rodrigues não a informou da retirada de um dos nomes propostos para o conselho de administração da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) da Baixa pombalina.
O dirigente do PSD Pedro Portugal Gaspar acusou quarta-feira Carmona Rodrigues de ter cedido a uma pressão do líder social- democrata, Marques Mendes, ao retirar o seu nome da lista proposta para o conselho de administração.
"Aquilo que o senhor presidente e eu tínhamos concertado correspondia à proposta que foi agendada mas não à proposta que foi colocada à votação", disse.
Nogueira Pinto afirmou não reconhecer a Nunes Barata, com quem trabalhou na Santa Casa da Misericórdia, o "perfil adequado para a função" de presidente do conselho de administração da SRU, e que por isso votou contra.
A vereadora sublinhou, contudo, que "uma coisa é um conjunto de três nomes e outra são dois nomes".
"São mudanças substantivas", argumentou, acrescentando que esperava que a proposta tivesse sido retirada.
Segundo Nogueira Pinto, Carmona Rodrigues "deveria ter tido a atenção" de a avisar da alteração da proposta, pelo menos na véspera à noite, através de um telefonema.
A vereadora democrata-cristã afirmou não se considerar "vítima" deste processo e admitiu que a intenção de terminar o acordo pós-eleitoral nunca partiria dela.
"Eu teria muita dificuldade em romper esta coligação pela enorme fragilidade em que se encontra a Câmara de Lisboa", disse.
A vereadora garantiu que cumprirá o mandato até ao fim, frisando que será "muito melhor agora" do que nos dois meses iniciais em que esteve na oposição, antes de chegar ao entendimento pós- eleitoral com Carmona Rodrigues.
Sobre a sua posição na autarquia enquanto vereadora da oposição, Nogueira Pinto afirmou que votará favoravelmente as propostas do PSD "sempre que forem boas para a cidade".
"A coligação não era o meu voto, era um contributo que eu podia dar para a governação a cidade. Para a maioria das questões o senhor presidente reunirá consensos, nomeadamente o meu", disse.
A vereadora classificou o seu contributo como vereadora da coligação como "mão-de-obra qualificada", explicando que "é esse contributo que cessa, não o contributo do voto".
"Jamais retaliaria contra Lisboa votando contra propostas que fossem boas para a cidade", declarou.
Questionada sobre se a sua saída da coligação foi resultado de pressões do PSD sobre Carmona Rodrigues, Nogueira Pinto disse que o presidente lhe transmitiu pelo telefone a decisão por considerar que tinha existido quebra de confiança e lealdade.
"Tudo o resto são suposições", disse, recusando comentar as divergências que assumiu com a presidente da Assembleia Municipal de Lisboa (AML) e líder da distrital de Lisboa do PSD, Paula Teixeira da Cruz.
A vereadora adiantou contudo que "como acontece em todos os partidos, especialmente nos grandes, há neste momento diversos partidos sociais-democratas".
"Neste momento em Lisboa, o PSD sofre uma convulsão. É um assunto que não me diz respeito", disse.
Nogueira Pinto sublinhou ainda que "a coligação fazia sentido para governar Lisboa, não para ficar no meio de fogo cruzado partidário".

Notícia: Lusa

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