sexta-feira, abril 14, 2006

Ministro desastrado semeia crise na PJ

O líder do CDS-PP, José Ribeiro e Castro, considerou hoje "desastradas e inoportunas" as acusações que o ministro da Justiça fez ao ex-director da Polícia Judiciária Santos Cabral, sublinhando ser "indispensável" a intervenção do primeiro-ministro.
"Foram declarações do senhor ministro da Justiça muito infelizes, desastradas, inoportunas e injustificadas", disse José Ribeiro e Castro, em declarações aos jornalistas à margem de uma visita que realizou hoje de manhã à lezíria de Vila Franca de Xira.
Considerando que é "indispensável a intervenção do primeiro- ministro" neste caso, o líder do CDS-PP lamentou o "efeito perturbador" que as acusações do ministro Alberto Costa têm sobre a Polícia Judiciária.
"Numa fase delicada como esta, era necessário que o ministro da Justiça respeitasse a instituição e facilitasse a transição [para o novo director-nacional] num clima de estabilidade", sublinhou.
Ribeiro e Castro apelou ainda à preservação do "prestígio e crédito" que a Polícia Judiciária goza, embora rejeite pedir a demissão do ministro da Justiça.
"Desde o dia 11 de Março que estamos a pedir a demissão do ministro da Agricultura, agora pedir a demissão de mais um ministro seria sobrecarregar a agenda do senhor primeiro-ministro", ironizou, insistindo, contudo, na necessidade de José Sócrates intervir nesta situação.
Quarta-feira, na comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, o ministro da Justiça criticou indirectamente o ex-director da Polícia Judiciária, nomeadamente quanto à alegada falta de eficiência daquela polícia de investigação criminal.
"Não queremos ter uma pilha de processos dos quais um número enorme acaba arquivado, sem acusação e sem julgamento", disse Alberto Costa, sem nunca referir directamente o nome de Santos Cabral.
Alberto Costa fez também referência à possibilidade, entretanto afastada, de retirar à Polícia Judiciária o pelouro das Relações Internacionais, que inclui os contactos com a Europol e a Interpol, garantindo que o ex-director estava a par dessa hipótese.
"O destino da tutela da PJ sobre estas matérias era completamente conhecido de todos os que trabalhavam na PJ", afirmou.
Ainda durante a audição parlamentar, o secretário de Estado da Justiça, Conde Rodrigues, falou também sobre os problemas financeiros da Polícia Judiciária, atribuído a falta de dinheiro à má gestão da direcção.
"Quando se diz que não havia dinheiro, por exemplo, para pagar ajudas de custo ou subsídios de prevenção em alguns pontos do país, isso deveu-se à distribuição da despesa por parte da direcção financeira da PJ", disse Conde Rodrigues.
"A PJ distribui as receitas do orçamento de Estado em Lisboa e no Porto, pagando tudo o que era necessário até à actualidade, e não pensou nas delegações do resto do país", acrescentou ainda o secretário de Estado.
Notícia LUSA

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