segunda-feira, setembro 20, 2010

CDS Lisboa exige que Estado pague os estragos no Jardim da Torre de Belém

RECOMENDAÇÃO

RELVADO DA TORRE DE BELÉM


Ex-líbris de Lisboa, a Torre de S. Vicente de Belém é um dos dois monumentos de Lisboa, a par com o Mosteiro dos Jerónimos, classificados pela UNESCO como Património Mundial. Construída no século XVI, época áurea dos Descobrimentos, com vista a defender o Tejo e a cidade, a torre possui traça manuelina e permanece como um símbolo da expansão marítima portuguesa.
Durante a Grande Exposição do Mundo Português, em 1940, foi construído o Jardim da Torre de Belém, caracterizado pelo seu amplo relvado com uma área de 4,7ha. Pretendia-se, com a sua construção, que fosse não só um espaço de embelezamento da Torre mas de desfrute do Rio Tejo.
A 1 de Dezembro de 2009, a cidade de Lisboa acolheu a cerimónia de entrada em vigor do Tratado de Lisboa e de arranque da Cimeira Ibero-Americana, evento o qual foi celebrado numa tenda montada em cima do relvado do referido jardim, incluindo as estruturas de apoio.
Como seria de esperar, após a retirada da estrutura e com as chuvas características do Inverno, o relvado transformou-se num autêntico lamaçal. E assim esteve até Fevereiro de 2010, altura em que o CDS chamou, pela primeira vez, a atenção para o estado vergonhoso em que se encontra o espaço, deixando muitos turistas e lisboetas espantados com o porquê de tal situação. Na altura e pela voz do Vereador Sá Fernandes, a CML assume que faria a devida intervenção “o mais expedita possível, mas que não há milagres…”.
Em Maio de 2010 e preocupados com a imagem que Portugal estaria a deixar aos milhares de turistas que visitam a Torre, o CDS voltou a levantar a questão do estado do terreno, desta vez encontrando-se o espaço ora ocupado pelo palco com a ainda restante relva totalmente seca e a terra árida.
Em Junho, a CML noticia que está em preparação um projecto de requalificação para o espaço, o qual será dotado de condições de carga e mobilidade técnica necessárias à realização de espectáculos. Poder-se-á depreender que o Município assume este espaço como mais um da cidade a transformar em zona de diversões, temendo o CDS que o Jardim da Torre de Belém se torne numa triste réplica do sucedido ao Parque da Bela Vista.
Chegados a Setembro, não só a zona ocupada pelo palco mas todo o Jardim tem o seu relvado votado ao abandono, tendo-se tornado numa zona de terra batida e árida.
Interrogado em reunião de Câmara, o Vereador Sá Fernandes afirmou que já tentou entrar em contacto com o gabinete do Primeiro-Ministro mas sem sucesso, que o projecto de requalificação “irá avançar e que logo se verá quem paga: se a CML ou se o Gabinete do Primeiro-Ministro”.
Estas afirmações causam-nos estupefacção pelo facto da Câmara Municipal querer lançar um procedimento de obras de requalificação sem definir, à partida, se o Governo respeitou todas as normas de utilização do espaço e se é responsável pelo pagamento da referida intervenção.
Segundo as normas internas do DAEV – Departamento de Ambiente e Espaços Verdes, de cedência do Jardim da Torre de Belém, o documento expressa claramente que “não é permitida a instalação de estruturas directamente sobre os relvados”.
Mais, o documento confirma ainda que “Todo e qualquer dano decorrente do evento, ocorrido sobre o património natural e construído, deverá ser corrigido pela entidade responsável pelo evento, a seu custo, mediante a reposição da situação original. A reposição deverá ser efectuada com base em caderno de encargos correntemente utilizado para materiais ou trabalhos equivalentes.”
O espaço foi cedido pela Câmara Municipal de Lisboa ao gabinete do Senhor Primeiro-Ministro, desconhecendo-se em que condições e/ou se respeitam as normas internas de cedência do espaço a entidades.
Assim, porque a Assembleia Municipal de Lisboa não pode descurar da legalidade das intervenções de requalificação dos espaços verdes e nobres da Cidade, o Grupo Municipal do CDS-PP propõe à Assembleia Municipal que solicite à Câmara Municipal que:

1. Informe a Assembleia Municipal dos procedimentos relativos à cedência do Jardim da Torre de Belém ao Gabinete do Senhor Primeiro-Ministro para o evento de 1 de Dezembro de 2009;
2. Com base nas normas internas de cedência do Jardim e caso não tenham sido cumpridas, responsabilize a entidade organizadora pelo pagamento das obras de requalificação.


Deputados Municipais do CDS-PP

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