quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Opinião - A Democracia-Cristã

O conceito de Democracia Cristã surge na Europa, no ano de 1871 em França, pela necessidade de distinguir o aparecimento de uma nova Igreja cuja linha de pensamento e organização dos cristãos tivesse as suas raízes no povo, em confronto com a tradicional Igreja de então, de cariz intelectual. Tinha a finalidade de fazer ressurgir o Cristianismo, a liberdade de ensino da religião e a defesa da Igreja Católica, contra os radicalismos de outras confissões.
No período imediato à Segunda Guerra Mundial, os grupos partidários, confrontados com a enorme expansão deste pensamento, naturalmente, inseriram nos seus programas sócio-políticos, a doutrina que dele emanava.
Havia portanto, sido criado um conceito, cujo termo “democracia” não estava conotado com o habitual significado político generalizado, mas sim numa concepção puramente adstrita ao Mundo Cristão, sempre na óptica da profusão dos ensinamentos da Santa Igreja. Nunca apelando à tomada do poder político pelo povo. Não era disso que se tratava. Uma coisa eram os interesses partidários de semblante cristão ou laico, outra coisa a democratização de inspiração divina assente na Doutrina Social da Igreja.
No entanto, pela sua actuação, e coerência identitária, foi inegável o extraordinário papel desempenhado na luta contra o comunismo principalmente na Europa.
Em Portugal, por aquela altura, perdia-se a linha doutrinária, cristã, estabelecida desde a Fundação da Nacionalidade. A fim de combater o radicalismo laico, e fazer prevalecer os valores democráticos do cristianismo na vida social e política, foram surgindo organizações católicas.
Tornava-se cada vez mais notório o trabalho desempenhado pela Acção Católica.
Outras organizações lutavam pelo mesmo intuito, mas mais significativamente, surgiu no início do século XX, em Coimbra, no ano de 1901, impulsionado por um grupo de estudantes de direito, na Universidade daquela cidade, o Centro Académico de Democracia Cristã, que viria a ser fundado em 1902, e que ainda hoje se mantém fiel aos seus princípios, fazendo a ponte entre os ensinamentos da Igreja e a sociedade nos diversos campos do conhecimento.
Nos seus estatutos define a sua linha de orientação da seguinte forma:
O Centro Académico de Democracia Cristã de Coimbra é uma associação católica, que tem por fins a formação integral e o desenvolvimento global da pessoa humana, fundados nos valores evangélicos e realizados no diálogo entre a Fé e a Cultura.
Prosseguirá estes fins através dos meios adequados ao aprofundamento do saber, ao diálogo nos vários domínios do conhecimento e da criatividade, à edificação espiritual, à celebração da Fé e ao serviço social cristão.
O C.A.D.C. surgiu numa época em que se sentia desaparecer do quotidiano, a presença de Deus.
Com a implantação da república, agravou-se a atitude dos políticos contra a Igreja.
Faziam-se sentir duas correntes políticas que empolgavam os entusiasmos da Academia: a republicana triunfante e a monárquica que se encontrava enlutada. Mas, logo o partido republicano – que já estava em crise nos finais da monarquia – se dividiu em três facções: o partido evolucionista de António José de Almeida, o partido unionista de Brito Camacho, o partido democrático de Afonso Costa.
No tocante à actividade política, tínhamos de um lado os republicanos e do outro os monárquicos e os católicos; tinham estes últimos em comum a tarefa de combater o anti-catolicismo e o anti-cristianismo dos primeiros.
Foi também a partir do C.A.D.C. que em Portugal se fez notar com mais evidência a luta pela defesa dos valores da Igreja e da Pátria, impondo as grandes virtudes cristãs. Foi nesta base, que os seus fundadores e seguidores, acompanhando os tempos, revolucionaram as mentalidades, nos vários sectores onde se integravam, quer nos meios eclesiásticos quer na sociedade civil. E do C.A.D.C. surgiriam vultos eminentes, que chegariam aos mais altos cargos da Nação.
Ora, transpor para a actualidade a motivação dos fundadores do C.A.D.C. (formação integral e o desenvolvimento global da pessoa humana fundados nos valores evangélicos e realizados no diálogo entre a Fé e a Cultura) será não só urgente, como imperioso.
Tal como identificado na Assembleia Plenária do Comité de Representantes das Conferências Episcopais da Europa realizada no mês de Novembro/2008 em Bruxelas, a actual crise financeira manifesta uma profunda crise espiritual e um conjunto equivocado de valores. Há aqui um mais que óbvio apelo às origens dos valores da democracia cristã.
Sem querer concluir nem incitar, tão só alertar para os tempos modernos com que somos obrigados a conviver, devemos partir da inacção, conscientes do esforço e algum risco, para o trabalho que existe a desempenhar, e que exige a nossa participação.
Esta moldura de falta de valores, afigura-se a todos os que a conhecem, e dela têm consciência, perante o estado anárquico do nosso país nos campos financeiro, económico, social, político e religioso. É iniludível a necessária presença em todas as áreas que informam a Nação, do pensamento social-cristão.
Se a democracia cristã trouxe antes, um novo alento à compreensão e convivência, refundemos essa escola de verdade e justiça, exemplo de Fé em Deus e nos valores da Pátria.
Ser-se democrata cristão é lutar diariamente por uma justiça social equilibrada assente na Doutrina Social da Igreja.
O democrata-cristão, deve ter como finalidade, promover sempre, a bem do interesse comum, a defesa da “Família”, a luta contra a “Heresia” e retomar os valores que interessam à “Pátria”.
Os valores a que o democrata-cristão se propõe, só encontram acolhimento no espectro partidário português, em organizações não socialistas, e na sua defesa terão de congregar esforços todos os que por eles se debatem diariamente. O mesmo é dizer que não podem ser discutidos nem viabilizados, em organizações cuja linha doutrinária não seja de inspiração cristã.
Aos militantes do CDS cabe esta enorme responsabilidade!
João Gomes
Militante CDS-PP Lisboa

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1 Comentários:

Em 6:06 da tarde, Blogger Henrique Videira disse...

È deveras importante que o CDS/PP doutrine os seus militantes com os principios e valores com que o C.A.D.C. se fundou para não navegar em águas turvas, exclusivamente no debate politico e plutocrático.

Henrique Videira
Palmela

 

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