Comerciantes da Baixa de Lisboa discordam do encerramento ao trânsito
Comerciantes e empregados de lojas da Baixa pombalina discordam da proibição ao trânsito nesta zona e no Terreiro do Paço, como propõe o novo plano municipal de mobilidade para a Baixa de Lisboa, que se encontra em discussão pública.Alguns comerciantes e gerentes de lojas do Rossio, Rua do Ouro e Terreiro do Paço reagiram hoje às propostas do plano da Câmara de Lisboa, considerando que o encerramento ao trânsito de veículos privados naquela zona “vem prejudicar ainda mais a crise que o comércio da Baixa já atravessa”.
“Não se deve retirar o trânsito automóvel da Baixa, porque isso é prejudicial para o comércio que já está em crise. O que se deve é criar mais condições para que as pessoas venham à Baixa”, disse à Agência Lusa António Guerreiro, gerente de uma sapataria existente há seis anos no Rossio.
“O que a autarquia devia fazer era criar mais parques de estacionamento, a preços mais baixos, e programas de promoção do turismo e comércio tradicional, e não proibir o trânsito nestes locais, o que vai matar a Baixa ainda mais”, frisou.
Ajuda às aos centros comerciais?Para este funcionário do comércio, a proibição do trânsito automóvel naquelas zonas da cidade não as vai devolver aos peões, mas antes “canalizá-los mais ainda para as grandes superfícies comerciais”.
A mesma opinião tem a gerente de uma perfumaria, existente há dois anos também na Baixa pombalina, para quem a proibição de trânsito automóvel privado se justifica apenas aos fins-de-semana.
“As pessoas não estão para vir para a Baixa a pé, porque sempre se habituaram a vir de carro ou passar de carro para voltarem mais tarde e fazerem compras”, afirmou Carla Fernandes, sublinhando que proibir o trânsito “é o mesmo que matar a Baixa”.
Apesar de admitir a possibilidade de condicionamento de trânsito em “ruas mais estreitas da Baixa”, outra funcionária da mesma perfumaria sustentou que, “apesar dos transportes públicos serem bons neste local, a Baixa não vive só com trânsito pedonal”.
A responsável de uma loja de comunicações discorda igualmente da medida, considerando que, quando o trânsito é proibido “em situações pontuais, como manifestações, é o suficiente para o comércio tradicional acusar a falta de clientes”.
Também a gerente de uma loja de “lingerie”, que abriu há um ano no edifício onde funcionava a antiga tabacaria Caravela, considerou que acabar com o trânsito particular na zona é “quase um novo terramoto, ou seja, destruir novamente a Baixa”.
O plano da autarquia estabelece um corte na ligação da Baixa à frente ribeirinha para o tráfego automóvel, à excepção dos transportes públicos.
Prevê igualmente que os automóveis particulares só possam ir na direcção Santa Apolónia-Cais do Sodré-Alcântara, e vice-versa, pela Ribeira das Naus, e que o estacionamento na zona fique reservado a moradores e comerciantes.
Um estudo do especialista em Transportes, Fernando Nunes da Silva, elaborado a pedido do Automóvel Club de Portugal, concluiu entretanto que o corte de trânsito entre a Baixa e o Terreiro do Paço proposto pela Câmara de Lisboa terá “consequências muito gravosas”, sobrecarregando as áreas envolventes.
LusaEtiquetas: Baixa, Lisboa, Mobilidade





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