sexta-feira, janeiro 30, 2009

Pinto Ribeiro/1 ano: Balanço claramente negativo - CDS

Um ano depois da posse do ministro da Cultura, a vice-presidente do CDS-PP Teresa Caeiro fez "um balanço claramente negativo" da actuação de José António Pinto Ribeiro e considerou que a situação nesta área não melhorou.
Em declarações à Lusa, Teresa Caeiro lembrou que quando tomou posse, a 30 de Janeiro de 2008, o ministro disse que "iria fazer mais e melhor com menos recursos".
"Ora verificamos que não fez mais nem melhor e teve os mesmos recursos", considerou.
"Para quem prometeu fazer mais e melhor com menos recursos eu digo-lhe que (a situação) não está melhor e nalguns aspectos está até pior", continuou a deputada, sublinhando que em termos de recuperação do património "estamos num estado particularmente preocupante".
A ex-secretária de Estado da Artes e Espectáculos do Governo de Santana Lopes apontou alguns casos que lhe merecem críticas.
"Estamos com atrasos no apoio às artes, estamos perante uma indefinição no funcionamento da OPART (estrutura que gere o Teatro Nacional de São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado). Convém lembrar que o próprio ministro considerou que era anacrónica esta fusão de estruturas, até agora nem fez uma avaliação nem alterou o que quer que fosse", criticou.
A deputada indicou que também foram deixados cair projectos como o pólo em Portugal do Museu Hermitage (depois de um investimento de quase 2 milhões de euros numa exposição inicial) e o Museu do Mar da Língua.
Sobre este último, a dirigente do CDS-PP referiu que "numa primeira fase o ministro disse que teria de ser realizado até ao fim de 2008 para não perder verbas, depois quis fazer este museu na estação do Rossio, depois disse que propunha um restauro e renovação de todo o edifício do Museu de Arte Popular para aí instalar o Museu do Mar da Língua e finalmente desistiu do projecto".
Na área do património, Teresa Caeiro destacou que há cerca de 3 mil obras classificadas em todo o país, muitas das quais são património mundial classificado pela UNESCO que se encontram em situação de risco.
"Dou apenas o exemplo do Convento de Cristo, em Tomar, para além de inúmeras outras obras-primas que são património nacional e património da humanidade e estão em risco de ruir", afirmou, lembrando que o ministro tinha-se comprometido a encontrar formas de ultrapassar este problema e não o resolveu.
A mesma responsável apontou ainda um "aspecto particularmente grave" que se prende com a proposta de decreto-lei sobre o regime geral dos bens do domínio público (apresentado pelo Ministério das Finanças) que, segundo disse, "não proibe expressamente que património cultural do Estado possa ser alienado a privados".
"Ainda não ouvimos o ministro pronunciar-se sobre este diploma", criticou.


Lusa/RTP online

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