quinta-feira, junho 29, 2006

CDS-PP interpela Governo sobre Saúde

O CDS-PP vai confrontar hoje o Governo com vários aspectos da política de saúde, numa interpelação em que voltará a acusar o executivo de ter aumentado o preço dos medicamentos e criticará os critérios do encerramento das maternidades.
"Na política como na vida, tudo se mede pelos resultados e os resultados no sector da saúde não são os melhores", sublinhou o líder parlamentar do CDS- PP, Nuno Melo, em declarações aos jornalistas.
Sem querer revelar a estratégia que utilizará na interpelação de quinta -feira, o presidente da bancada dos democratas-cristãos assegurou que irá retomar o tema do preço dos medicamentos e recuperar o relatório do Observatório Portu guês dos Sistemas de Saúde (OPSS).
No seu sexto relatório anual, o OPSS sustenta que a "informação disponível aponta para o aumento generalizado dos preços dos Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica (MNSRM) face ao período prévio à liberalização", salientando que "os preços de venda ao público nestes novos estabelecimentos são, na generalidade, superiores aos preços praticados nas farmácias".
Apesar da conclusão ter sido refutada pelo ministro da Saúde, Correia de Campos, Nuno Melo considera que o estudo "realizado por entidades insuspeitas" confirma o que o CDS tinha detectado antes.
No final de Maio, num debate mensal com o primeiro-ministro sobre a política do medicamento, o líder do CDS afirmou que "os medicamentos estão mais caros nos hipermercados relativamente às farmácias, estão genericamente mais caros que há seis meses e há até genéricos mais caros que os medicamentos de marca".
O encerramento de alguns blocos de partos por todo o país será outro dos temas "na ordem do dia" na área da saúde com que os democratas-cristãos pretendem confrontar o Governo.
"O CDS não critica o encerramento das maternidades por si, mas o encerramento com base na aplicação implacável de critérios arbitrários e assentes em pressupostos que nem sempre se verificam", explicou.
Como caso paradigmático, Nuno Melo apontou o caso do bloco de partos da maternidade de Barcelos, que fechou esta segunda-feira.
"Muitas das razões invocadas para o encerramento não se verificam através de uma visita ao local", sublinhou o deputado do CDS eleito pelo círculo de Braga.
Até ao final do ano, o Governo prevê encerrar 11 blocos de partos, tendo já sido fechadas as unidades de Oliveira de Azeméis, Elvas, Santo Tirso e Barcelos, estando para breve a desactivação do bloco de Lamego.
O CDS, que desafiou o primeiro-ministro José Sócrates a participar na interpelação, promete ainda desafiar o executivo a não fazer política no sector da saúde a pensar no défice.
"Nem todos os sectores são iguais. O Governo não pode fazer economias ou combater o défice à custa da saúde das pessoas", disse.
No entanto, os democratas-cristãos prometem também aplaudir aspectos positivos da política de saúde.
"Se o ministro tiver um discurso de verdade e estabelecer metas razoáveis, seremos porventura os primeiros a apoiar a política do Governo", sublinhou Nuno Melo.
Notícia Lusa

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