CDS quer cancelamento do concurso para a Feira da Luz
A Assembleia Municipal de Lisboa (AML) quer que a autarquia cancele o concurso de atribuição de lugares da Feira da Luz, decidido pelo vereador das actividades económicas um dia antes da queda da Câmara.Os deputados municipais aprovaram hoje por unanimidade uma recomendação à Câmara exigindo a suspensão do concurso e o respeito pelas propostas de um grupo de trabalho da freguesia de Carnide que defende a re-introdução do carácter tradicional da Feira da Luz.
O grupo de trabalho defende igualmente a promoção de um «debate alargado para uma possível deslocalização da Feira da Luz para terrenos aptos a receberem a mesma com dignidade, permitindo com esta deslocação uma requalificação do Jardim da Luz», onde a feira se realiza anualmente no mês de Setembro.
O presidente da Junta de Freguesia de Carnide, Paulo Quaresma (CDU), afirmou à Lusa que «a Câmara não aceitou o documento do grupo de trabalho e não promoveu a discussão».
«É lançado um concurso sem respeito pelo que foi decidido pelo grupo de trabalho, que irá comprometer qualquer força política que venha a ganhar as eleições por um período de três anos», afirmou.
Paulo Quaresma sublinhou que o concurso foi lançado por despacho do vereador das Actividades Económicas, Paulo Moreira (PSD), dia 9 de Maio, um dia antes da queda do executivo camarário.
Segundo o autarca de Carnide, a distribuição de lugares que será lançada a concurso nem contempla um palco para actividades culturais.
«A feira não pode ser constituída apenas de roulotes de farturas», critica Paulo Quaresma que acusa a autarquia de estar apenas interessada na vertente financeira do evento.
De acordo com Paulo Quaresma, o valor base de licitação dos lugares dos feirantes é de 110 mil euros, verba que reverte para a autarquia como taxa municipal de ocupação do espaço público.
Foi concluído pelo grupo de trabalho a necessidade de «reforçar a animação cultural, exposições temáticas e debates, entre outras, na programação da Feira da Luz, permitindo trazer novos visitantes e relacionar a Feira com o carácter histórico-cultural da freguesia».
O grupo de trabalho defende ainda a análise com a autarquia e os feirantes de uma «possível redução temporal da Feira da Luz» e a «criação de espaços reservados a moradores de Carnide destinados à venda de produtos tradicionais».
O grupo de trabalho integrou representantes de todas as forças politicas com assento na Assembleia Municipal, mesmo as que não estão representadas na junta e assembleia de freguesia de Carnide, como o CDS-PP.
A presidente da Comissão Administrativa, que gere a autarquia até às eleições intercalares de 15 de Julho, Marina Ferreira, afirmou hoje que «o regulamento estipula que haja concurso de três em três anos».
«O ano passado foi adiado o concurso para se encontrar um novo local. Entre os serviços e a Câmara não foi possível encontrar um novo local», declarou.
Segundo Marina Ferreira, de acordo com «as boas práticas», o concurso deverá realizar-se este ano.
«A directora municipal de Actividades Económicas está empenhada em encontrar com a Junta de Freguesia um novo local para a feira, sem prejuízo de se realizar o concurso», afirmou.
Diário Digital






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