quarta-feira, janeiro 31, 2007

Declarações de Manuel Pinho são "inaceitáveis"

O CDS-PP considerou hoje "inaceitáveis" as declarações do ministro da Economia, Manuel Pinho, na China, lamentando que Portugal tenha sido apresentado aos empresários chineses "como uma espécie de paraíso da União Europeia (UE) pelo preço da mão-de-obra".
Na abertura do Fórum de Cooperação Empresarial Portugal China 2007, em Pequim, Manuel Pinho apelou ao investimento chinês em Portugal alegando que os custos salariais são inferiores à média da UE e têm uma menor pressão de aumento do que nos países do alargamento.
"Portugal é um país competitivo em termos de custos salariais. Os custos salariais são mais baixos do que a média dos países da União Europeia e a pressão para a sua subida é muito menor do que nos países do alargamento", sustentou o ministro, perante a plateia de empresários chineses.
O deputado do CDS-PP Diogo Feio disse à agência Lusa que "não queria acreditar" nas declarações do ministro da Economia e afirmou que "se não fosse uma tragédia teria de ser comédia", considerando-as "inaceitáveis, desde logo porque o factor essencial da competitividade de uma economia não deve ser o preço da mão-de-obra".
"É mau demais para ser verdade. Apresentar Portugal como uma espécie de paraíso da União Europeia pelo preço da mão-de-obra é inaceitável, ainda para mais quando se está na China", acrescentou Diogo Feio.
"Só falta que vá à Arábia Saudita apresentar as areias de Portugal ou que nas Seicheles apresente o turismo como o nosso factor de competitividade", ironizou o deputado do CDS-PP.
"O nosso factor de competitividade nunca pode ser considerado a mão-de-obra", reforçou.
Diogo Feio defendeu a visita do primeiro-ministro à China e a anterior visita do Presidente da República à Índia com o objectivo de promover "não factores de atraso de natureza social e económica mas as nossas indústrias, as que podem ser competitivas".
"Faz todo o sentido. Espero que as visitas tenham sucesso e o ministro Manuel Pinho podia ajudar a que isso acontecesse... Não com declarações deste género", concluiu.

Notícia Lusa

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