segunda-feira, abril 24, 2006

De acordo com posição de Freitas do Amaral

O líder parlamentar do CDS/PP, Nuno Melo, classificou hoje as declarações do ministro Freitas do Amaral em relação ao Irão como representativas de um "retorno à normalidade" em matéria de Negócios Estrangeiros.
"São declarações importantes porque recolocam Portugal, em matéria de negócios estrangeiros, naquele que é o discurso europeu e o discurso do eixo atlântico de que Portugal faz parte, de que Portugal sempre procurou ser tradicionalmente uma das vozes mais respeitadas", disse à Lusa Nuno Melo sublinhando, no entanto, que as suas declarações não são um elogio a Freitas do Amaral porque se tratou "apenas de um retorno à normalidade em matéria de estado e de política externa".
O ministro português dos Negócios Estrangeiros defendeu hoje uma solução diplomática para a crise com o Irão, admitindo sanções militares só como último recurso e no quadro das Nações Unidas.
Nuno Melo sublinhou que a tomada de posição de Freitas do Amaral sai reforçada devido à proximidade de agenda com um debate parlamentar sobre o Irão e porque surge depois do elogio público do embaixador do Irão ao ministro dos Negócios Estrangeiros português na mesma altura em que o diplomata iraniano colocou em dúvida o holocausto e negou a existência de Israel enquanto Estado.
Nesse sentido, o líder parlamentar do CDS/PP lembrou os "episódios infelizes" protagonizados por Freitas do Amaral relacionados com as suas tomadas públicas de posição em relação aos Estados Unidos, Irão, Iraque ou à polémica em torno dos cartoons sobre Maomé.
"Em matéria de política europeia Portugal não tem primado pela razoabilidade nem pela previsibilidade que é de esperar nesta matéria, que é de Estado, e que é suposto esperar-se do ministro dos Negócios Estrangeiros", sublinhou, lembrando que "a importância destas declarações fazem com que se aguarde com menos apreensão o debate do inicio do próximo mês de Maio".
Nuno Melo adiantou que "obviamente" concorda com a via diplomática para a resolução das questões relacionadas com o Irão e só encara o uso da força militar em "situações limite", quando "todas as outras soluções já foram ponderadas".
"Bom será que um dossier tão sensível como este, do nuclear, num país que vive num regime teocrático muito radical, consiga ter uma solução pacífica", defendeu.
Para isso, Nuno Melo lembrou que é "desejável" que "o Governo português faça valer a sua posição desde logo nas reuniões de conselho de ministros dos negócios estrangeiros europeus".
Notícia LUSA

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