quinta-feira, abril 20, 2006

Descontrolo económico-financeiro, audição urgente

O CDS-PP pediu hoje a "audição urgente" do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, no Parlamento para esclarecer qual o rumo da política económica e financeira do Governo, na sequência da divulgação do boletim económico da Primavera.
"O boletim económico de Primavera do Banco de Portugal vem confirmar algo que o CDS tem dito de forma constante. A política de consolidação orçamental do Governo Sócrates não sai do papel. Corresponde a um conjunto de intenções teóricas. É um logro", criticou o deputado Diogo Feyo, durante uma conferência de imprensa do grupo parlamentar democrata-cristão.
O CDS recordou que sempre criticou a estratégia de consolidação "à custa do aumento das receitas" e da "subida meteórica" da carga fiscal.
"Nessa altura muitos se calaram, o silêncio mais ruidoso foi o do sr. Governador do Banco de Portugal", salientou.
Perante os indicadores económicos do primeiro trimestre de 2006, o CDS considera urgente ouvir Teixeira dos Santos na Comissão parlamentar de Orçamento para prestar alguns esclarecimentos.
"Pretende o engenheiro Sócrates aumentar mais impostos? Vai o ministro Teixeira dos Santos apresentar um orçamento rectificativo? Vai o PS continuar indiferente à necessidade de combater a má despesa pública e o seu tamanho excessivo?", questiona o CDS.
Também o líder do CDS, José Ribeiro e Castro, se pronunciou hoje sobre estes indicadores, considerando que "fazer pior era impossível".
"Estamos no caminho errado e o Governo tem de restabelecer a confiança porque fazer pior era impossível", disse, à margem de uma conferência de imprensa para apresentar a moção que levará ao Congresso extraordinário do CDS, a 6 e 7 de Maio.
Ainda antes da conferência de imprensa do grupo parlamentar, Ribeiro e Castro sublinhou ser "indispensável que o ministro das Finanças, o primeiro-ministro e o ministro da Economia" dêem explicações.
Questionado sobre esta reacção a dois tempos do partido, Ribeiro e Castro considerou "normal", sublinhando que "o partido fala a uma só voz por vozes diferentes".
Também o deputado Pires de Lima, que acompanhou Diogo Feyo na conferência de imprensa no Parlamento, garantiu que a direcção estava a par de que a bancada do CDS iria fazer hoje uma intervenção sobre este tema.
"A articulação foi feita com o líder do grupo parlamentar, e como sempre muito bem", disse.
O boletim económico de Primavera foi divulgado terça-feira pelo Banco de Portugal, no qual se afirma que a economia portuguesa tem registado um "reduzido crescimento tendencial" da produtividade do trabalho.
Entre as razões da fraca produtividade da economia portuguesa, além dos choques económicos comuns à Zona Euro, a instituição aponta choques específicos de Portugal.
A continuada descida das taxas de juro, com o consequente aumento do endividamento dos particulares, e o abrandamento do consumo e do investimento são os principais causadores das dificuldades económicas em Portugal, de acordo com o documento.
O sucessivo agravamento da carga fiscal e a incerteza sobre a forma como vão ser resolvidos os desequilíbrios da economia portuguesa também têm dificultado o crescimento da produtividade e retirado capacidade de crescimento à actividade económica, refere o boletim.

Notícia LUSA

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