sábado, julho 05, 2008

CDS-PP vai questionar Governo sobre situação do grupo Águas de Portugal

O CDS-PP vai questionar o Governo sobre a situação do grupo Águas de Portugal (AdP) que, segundo um relatório do Tribunal de Contas, se encontra numa situação económico-financeira "débil".
Num total de 12 perguntas, duas são colocadas directamente ao ministro das Obras Públicas, Mário Lino, que o CDS-PP considera um dos responsáveis pela actual situação das Águas de Portugal, e as restantes ao ministro do Ambiente, Francisco Nunes Correia, que tutela aquela empresa.
No seu relatório, o Tribunal de Contas considerou que o Grupo AdP vive em situação económico-financeira "débil", afirmando mesmo que há empresas em "risco iminente" e que urge uma reestruturação imediata do sector.
Na auditoria que fez ao grupo - que integra 65 empresas - o Tribunal refere que a AdP Internacional, a AdP Serviços, a AdP Formação e a Reciclamas apresentam "graves problemas estruturais, situações patrimoniais deficitárias e inviabilidade económico-financeira dos seus negócios"
"Urge uma imediata e eficaz reestruturação do sector promovida pelo Governo português e articulada quer com o Grupo Águas de Portugal quer com as Autarquias locais envolvidas", conclui o Tribunal de Contas, numa recomendação ao Estado, único accionista do grupo.
De acordo com o Tribunal de Contas, entre 2004 e 2006 o grupo teve resultados negativos de 75,5 milhões de euros.
Em declarações à Agência Lusa, o deputado António Carlos Monteiro disse que após uma análise profunda ao relatório, o CDS-PP identificou como principais problemas uma "ineficiência de gestão", "erros de internacionalização da responsabilidade do ministro Mário Lino, então presidente das AdP, e o primeiro-ministro, José Sócrates, então ministro do Ambiente", "derrapagens nas contas e nos tempos de investimento", "endividamento descontrolado à banca" e suspeitas da "prática de "concorrência desleal".
Por isso, quer saber se o Governo vai cumprir as orientações do Tribunal de Contas, se os administradores das AdP vão "continuar a manter a prática" de acumular vários lugares na administração, se vai haver uma reestruturação na AdP e quando.
O que é que o Estado vai fazer para repor as regras de mercado e de concorrência saudável e como vão ser controlados os endividamentos são outras das questões que o CDS-PP vai colocar ao Governo.
Ao ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, o CDS-PP pergunta se "é ou não responsável por ter tomado a decisão da internacionalização das AdP" e porque é que nesse processo "não previu os prejuízos nos contratos de concessão".
Lusa