Médicos criticam política de saúde nas jornadas do CDS
O director clínico do Hospital da Luz, do grupo Espírito Santo, afirmou hoje que o grupo não está interessado em parcerias público-privadas na construção de hospitais se não puder participar na gestão, criticando os "ziguezagues" na estratégia do Governo."Nestes moldes, não estamos nada interessados nas parcerias público-privadas. (…) Estes ziguezagues não nos interessam nada", afirmou o médico José Roquette, director do Hospital da Luz, num debate sobre Saúde, organizado no âmbito das Jornadas Parlamentares do CDS-PP, que decorrem em Viseu.
O responsável defendeu que "quem constrói deve gerir", frisando que "a construção condiciona a gestão".
"Uma má construção penaliza a gestão. Há uma inter-relação brutal", reforçou José Roquette, crítico da estratégia do Governo na questão das parcerias público-privadas.
No debate no âmbito das Jornadas Parlamentares do CDS-PP, em Viseu, participaram ainda o Professor Manuel Antunes, director da Unidade de Cirurgia Cardíaca dos Hospitais de Coimbra, e o cirurgião Carlos Santos, presidente do Colégio de Cirurgia-Geral da Ordem dos Médicos.
Sobre as parcerias público-privadas, Manuel Antunes considerou que "os recentes anúncios do Governo" sobre o novo modelo de parcerias público-privadas - em que os privados investem na construção e o Estado assegura a gestão clínica - "constituem um retrocesso".
"Já tivemos vários modelos e não avaliámos nenhum", criticou.
A separação do público e do privado, a possibilidade de os médicos exercerem funções em exclusividade, a "fuga" de profissionais para o privado e "o estigma do lucro na saúde" foram os temas que mais geraram discussão no debate.
"Porque é que não se pode ganhar dinheiro na saúde? Para investir, para rentabilizar?", questionou José Roquette, criticando aquilo a que chamou "o estigma do lucro na saúde".
O director do Hospital da Luz que, no início do debate, tinha defendido que o Estado devia ser o responsável pela formação dos médicos, manifestou "disponibilidade para participar".
"As despesas de formação existem e nós estamos disponíveis para participar. (…) Para não nos poderem atirar à cara que estamos a usufruir da carne e do lombo. Mas com condições: queremos poder seleccionar" os profissionais que ficarão a trabalhar no Hospital", disse.
Manuel Antunes tinha deixado uma crítica aos privados que "querem a parte gostosa do bife [as áreas que na Saúde dão lucro] e deixar para o sector público o que está encostado ao osso".
Admitindo que o futuro será haver maior intervenção dos privados na prestação de cuidados de saúde, Manuel Antunes disse que isso não pode ser feito "de hoje para amanhã" e frisou que, com um orçamento global de cerca de oito milhões de euros, [o orçamento do Ministério da Saúde para 2008] "nenhum privado quer ficar com a responsabilidade de atender dez milhões de pessoas".
Carlos Santos recorreu à mesma imagem e alertou que, na área da formação dos profissionais, "os privados querem comer a carne limpa e vão buscá-la de graça", referindo-se aos grandes custos que o Estado tem na formação de médicos que depois passam para o sector privado.
CDS com LUSA
CDS com LUSA






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