CDS-PP quer avaliação aos programas do primeiro ao nono ano de escolaridade
O CDS-PP vai propor que se faça uma avaliação aos programas que são ministrados nas escolas, nomeadamente em relação às disciplinas de matemática, língua portuguesa, história e inglês, anunciou hoje, em Viseu, o líder da bancada parlamentar.Diogo Feio, revelou que o seu partido irá apresentar ainda esta semana na Assembleia da República um projecto de lei para que se proceda a uma avaliação dos programas escolares do ensino básico que vai do primeiro ao nono ano.
O deputado popular que falava aos jornalistas no final de um painel sobre “Saúde” no âmbito das Jornadas Parlamentares do CDS-PP que encerram amanhã com uma debate sobre “Indisciplina na escola”, declarou também que os democratas-cristãos propõem a criação de uma comissão de avaliação na qual deverá ter assento o Ministério da Educação, mas também representantes da disciplina em causa e pessoas ligadas às sociedades científicas.
O objectivo, precisou, é a partir dessa avaliação, fazer-se uma “alteração curricular” para que se deixem de ouvir queixas de que não se “aposta nas disciplinas mais importantes”.
Para o líder parlamentar, “a política da educação deve ser discutida no seu centro: a sala de aula” E referiu que “se deve por em causa aquilo que este ministério não quer que é o eduquês”. E nesse sentido deixou um desafio a Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação, para que aceite esta proposta que prevê uma avaliação e para que aceite uma cultura para dentro das escolas de exigência, de disciplina, e de determinação do papel do professor e do aluno”.
“A avaliação deve ser global. Todos dentro do sistema de ensino devem estar sujeitos a princípios de avaliação, esclareceu ainda o deputado, considerando “ser perfeitamente possível” que esta avaliação entre já em vigor no “início do próximo ano lectivo e nas disciplinas mais relevantes e mais importantes”.
Entende Diogo Feio, que “o programa deve ser sujeito à avaliação da comissão e se a avaliação for negativa serão feitas alterações ao próprio programa. Este programa deve ter como objecto o ensino básico que vai do primeiro ao nono ano, porque estamos preocupados com aquilo que se passa no ensino primário”, esclareceu ainda.
O debate sobre “Saúde” apontou críticas às novas parcerias público-privadas só para a construção de hospitais. O novo modelo proposto pelo Governo de José Sócrates não agrada ao grupo Espírito Santo Saúde.
José Roquete, director do Hospital da Luz, deixou claro que nos actuais moldes” o grupo não está interessado” em fazer parcerias. “ Não nos interessa nada este ziguezaguear constante, em que hoje é uma coisa, amanhã é outra e depois é outra”, critico, numa alusão às recentes alterações anunciadas por José Sócrates.
Também Manuel Antunes, director da unidade de cirurgia cardíaca dos Hospitais da Universidade de Coimbra, considera que as novas regras são pouco atractivas. “Não sei quem é que vai querer só construir e depois não regular o resto, também vai depender do preço que lhe pagarem, naturalmente”.
Manuel Antunes denunciou ontem em Viseu que “interesses corporativos, tanto internos como externos” a par da "própria inércia do Sistema Nacional de Saúde (SNS) têm impedido a implementação de reformas cada vez mais desesperadamente urgentes”.
E advertiu que “nunca será possível resolver o problema da falta de produtividade e da qualidade de atendimento dos nossos hospitais enquanto cada um dos sectores não for individualizado e profissionalizado, não sendo lógico nem aceitável que os mesmos agentes controlem a prestação no sector público e no sector privado, num sistema em que a oferta gera a procura”.
in Público online






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