segunda-feira, janeiro 28, 2008

Opinião - Apparatchiks do gosto

António Barreto, Miguel Sousa Tavares, Mário Soares, Francisco José Viegas, Vasco Pulido Valente, (entre muitos outros) puseram o dedo na mesma ferida – há em Portugal uma ofensiva higienista contra os comportamentos individuais.
Nos excessos da Lei do Tabaco e na falta de senso das acções da ASAE perpassa a mesma doutrina – é o Estado que sabe o que é melhor para cada um de nós; no que comemos, no que vestimos, na forma como nos comportamos.
No plano político Paulo Portas foi o primeiro a alertar contra os excessos em curso da “polícia dos costumes” e até o Presidente da República, sempre contido nas declarações, apelou ao bom senso.
Mas esta ideologia do gosto, esta doutrina higienista continua à solta entre nós.
Muitos dos seus ideólogos são os mesmos que há poucos anos defendiam a nacionalização das empresas e a intervenção do Estado na economia.
O arroz de cabidela indispõe-os. As couves caseiras enchem-os de horror. As quermesses das paróquias são praticas indígenas que cumpre abolir.
Reconvertidos ao mercado, como já não podem ocupar fábricas e herdades, como já não podem nacionalizar a banca e as empresas, querem agora estatizar o gosto.
A missão dos Apparatchiks do gosto é proibir os comportamentos individuais, é regulamentar os prazeres, é interditar o vício, é impor, por via administrativa, um Novo Homem São e salvo de imperfeições.
Respondo-lhes numa linguagem que conhecem - No passaran!

Pedro Mota Soares
Deputado

0 Comentários:

Enviar um comentário

<< Home