Quarta-feira, Outubro 24, 2007

Bagão alerta que são reformados quem paga consolidação orçamental

Na análise que o ex-ministro das Finanças fez esta terça-feira à proposta de Orçamento de Estado para 2008, a conclusão aponta para o facto de «serem sempre os mesmos a pagar».
«Os reformados e idosos pagam a consolidação orçamental por duas maneiras: aumentam-lhes os impostos e diminuem-lhes os benefícios», sublinhou num almoço que decorreu na sede do CDS-PP, em Lisboa. No que concerne a este tópico, Bagão Félix enumerou os medicamentos de venda livre ou a diminuição das comparticipações por doenças crónicas.
«Alguém acha que um reformado com 500 ou 500 e poucos euros pode ser considerado uma pessoa privilegiada?», inquiriu.
Num discurso que se pautou por muitas críticas às opções do Governo socialista, o economista disse não entender «que um subsidiado no desemprego não pague impostos e um reformado tenha de pagar», quando está em vigor o regime de cálculo de pensões que tem em conta toda a carreira contributiva (e não apenas os últimos 15 anos).

Orçamento «prepara festa para 2009»

Sobre as linhas gerais do documento, o ex-ministro das Finanças disse mesmo que o Orçamento de Estado é «predador» e «irrealista», deixando antever «que prepara um orçamento de alguma festa para 2009».
«É um orçamento que dá anfetaminas pelo lado da receita e ansiolíticos do lado da despesa», concluiu.
Sobre os anúncios do Governo para a redução de funcionários, Bagão Félix disse que os mesmos «são fantasia». E justificou com o facto das «grandes entidades produtoras de despesa estarem quase todas fora do perímetro orçamental». Ao exemplificar com a passagem das Estradas de Portugal a sociedades anónimas ou o caso dos hospitais passarem a EPE (Entidades Públicas Empresariais), Bagão conclui que «o pessoal é o mesmo» só que «deixa de constar nas contas públicas».
«Qualquer dia vamos ter um Orçamento de Estado em que o Estado está fora do Estado», salientou.
in Agência Financeira

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