quarta-feira, junho 20, 2007

Portas não vai dar tréguas durante a presidência da UE

O presidente do CDS-PP assegura que o partido terá sentido de Estado durante a presidência portuguesa da União Europeia, mas advertiu que nesse período não suspenderá a oposição.
A audiência de Paulo Portas com o primeiro-ministro, José Sócrates, em São Bento - destinada a preparar a cimeira de chefes de Estado e de Governo da União Europeia, quinta e sexta-feira -, deveria ter durado 45 minutos, mas acabou por se prolongar por mais de hora e meia.
No final da reunião com Sócrates, em que também esteve presente o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, Paulo Portas começou por sublinhar que o CDS-PP «é um partido patriota e que quer que a presidência portuguesa da União Europeia corra bem».
«O CDS-PP vai ter sentido de Estado, como é sua tradição, mas não vai suspender a oposição» nos seis meses de presidência portuguesa, avisou o líder-PP dos democratas-cristãos.
Segundo Paulo Portas, nesse período, «o CDS saberá distinguir» política interna e política europeia.
Em relação ao Tratado da União Europeia, Portas considerou que «ficou ferido na asa» após a rejeição em referendo pelos franceses e holandeses.
Face ao actual panorama, defendeu a necessidade de o tratado ser um documento «mais elementar, pragmático e realista» do que a anterior versão.
«O tratado tem que ser moderado e mais consensual. Não poder ter demasiada utopia e ambição, porque é essencial que a Europa funcione», sustentou.
Neste contexto, o presidente do CDS-PP aludiu a termos com conotação negativa como constituição no que se refere ao tratado.
Na questão do tratado, na sua perspectiva, «ou se pretende uma utopia ou um resultado. A União Europeia precisa de funcionar e ter uma economia próspera», defendeu.
Nas suas declarações aos jornalistas, o presidente do CDS colocou ainda reservas a uma eventual adesão da Turquia à União Europeia.
«A Turquia é um bom aliado do Ocidente no mundo islâmico, mas o Estado turco não funciona nos mesmos moldes que os da União Europeia. A Turquia só é um Estado laico porque tem uma certa forma de tutela militar», apontou.
Portas pediu ainda «prudência» em relação ao processo de independência do Kosovo, elogiou as cimeiras entre União Europeia, África e Brasil, alegando que «contribuem para reforçar a especificidade de Portugal» entre os Estados-membros, e sublinhou a importância do combate à imigração clandestina.
«Não são recomendáveis medidas unilaterais», disse, criticando o processo de legalização de imigrantes ocorrido em Espanha.
Para Portas, «a União Europeia não pode ser condescendente ou contemplativa face a fenómenos como a imigração ilegal e o tráfico de pessoas humanas».
Lusa

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