segunda-feira, outubro 23, 2006

OE 2007: Telmo Correia defende que CDS vote contra "um mau orçamento"

O deputado do CDS-PP Telmo Correia defendeu na passada terça-feira que o partido deverá votar contra a proposta orçamental do executivo para 2007 , que classificou como "um orçamento mau de um Governo sofrível".
"Tudo visto e ponderado acho e espero que a posição do CDS deve ser de princípio contra, a não ser que haja alterações muito significativas", disse Telmo Correia à agência Lusa, a título individual, um dia depois do líder do partid o ter admitido o voto favorável ou abstenção antes de conhecer o documento.
"A minha experiência aconselha a que não se fale sobre o Orçamento sem pelo menos olhar para ele", afirmou Telmo Correia, recusando, contudo, comentar directamente as afirmações de Ribeiro e Castro.
Para o ex-líder parlamentar do CDS-PP, e adversário derrotado de Ribeir o e Castro no Congresso de 2005, os democratas-cristãos têm de definir se querem "ser oposição ou auxiliares a este Governo".
"Eu acho que deve ser oposição. Há margem na declaração do presidente d o CDS para que o partido chegue a esta conclusão e eu espero que chegue", ressal vou, defendendo que "o país precisa de clarificação" e de "uma boa oposição".
Num almoço realizado segunda-feira, horas antes de ser conhecida a prop osta orçamental do executivo, Ribeiro e Castro explicou as condições de que o CD S faz depender o seu sentido de voto, admitindo todos os cenários possíveis, inc luindo a abstenção e o voto favorável.
Para votar favoravelmente o Orçamento, o líder democrata-cristão exigiu abertura do Governo na área da segurança social, redução da despesa pública e c ondições para diminuir impostos em 2008.
Depois de ter feito uma primeira análise do documento, Telmo Correia ma nifestou uma opinião muito crítica sobre o Orçamento de Estado (OE) para 2007.
"É um orçamento mau de um Governo que, com alguma bondade, classificari a de sofrível", disse, considerando que o documento segue "uma linha de continui dade no mau sentido".
Telmo Correia criticou a subida da despesa em termos absolutos - de 70 para 72 mil milhões de euros -, a quebra de 15 por cento no investimento público e o aumento da pressão fiscal.
"Não há efectiva consolidação. A única ideia de esforço financeiro é fe ita à custa do aumento da pressão fiscal e dos cortes no investimento público, q uando deveriam ser feitos cortes na despesa", criticou.
Classificando o documento de "decepcionante", Telmo Correia considerou que o orçamento traz "notícias preocupantes" para a classe média - público-alvo da última campanha eleitoral legislativa do CDS em 2005 - como o aumento da pres são fiscal para os reformados e o fim dos benefícios fiscais para deficientes.
Questionado pela Lusa, o deputado João Rebelo considerou as condições f ixadas por Ribeiro e Castro para um eventual voto a favor do CDS ao OE de 2007 c omo "princípios aceitáveis".
"Espero que tenha sido uma posição articulada com o líder da bancada", ressalvou, opinião manifestada igualmente pelo vice-presidente do grupo parlamen tar Nuno Magalhães.
No entanto, contactado pela Lusa, o líder parlamentar Nuno Melo recusou fazer qualquer comentário sobre esta matéria.

in Lusa