terça-feira, setembro 05, 2006

Opinião - Encerrou um espaço de liberdade, mais uma vitória para o regime!

Na próxima sexta-feira, já não teremos o “ Independente” nas bancas, para gáudio de um sistema que nunca se conformou com uma voz irreverente e incómoda.
O encerramento do “ Independente” foi mais uma vitória do regime, que sucessivamente tem aniquilado todas as tentativas de afirmação livre de uma geração, que continua a desprezar a ortodoxia cultural dominante e a posicionar-se à direita, conservadores nos princípios e valores, modernos e liberais na nossa relação com a sociedade.
Na próxima sexta-feira, o sonho incómodo de uma geração, que o Paulo, o Miguel mas também o Luís a muito custo conseguiram afirmar, será apenas a invocação de um estilo jornalístico e a memória de um tempo.
Foi por influência do Dr. Paulo Portas que no “ Independente” se revelou uma nova direita militante e audaz que não se revia na arrogância cavaquista e foi por influência do Dr. Miguel Esteves Cardoso que no 3º caderno do “Indy” despertou uma nova geração livre que não se revia na influência cultural da “brigada barbuda” dominante na comunicação social e que detinha o exclusivo da opinião junto das “elites” culturais.
Foi também com o Dr. Miguel Esteves Cardoso que aprendi a razão de ser monárquico, nos dias de hoje.
Terminou assim mais do que um projecto jornalístico onde me orgulho de também ter participado, embora esporadicamente (alguns artigos no efémero suplemento imobiliário), um ciclo da nossa vida política.
O fim do “ Independente” representa assim mais um triunfo do sistema ” consensual”; o Dr. Jorge Sampaio sabia o que fazia quando num momento cirúrgico destituiu um governo legítimo sustentado por uma maioria parlamentar estável.
Não é por acaso que a aventura jornalística que representou o “Independente”, termina
num momento em que o vazio se instalou à direita do PS.
O fim do “ Independente” também representa o fracasso de uma direita, acantonada no grupo parlamentar do CDS/PP e que na sua larga maioria se voltou a refugiar nos afazeres profissionais, culturais e académicos e que nalguns casos até se deixou seduzir pela operância governativa da 3ª via do Engº José Sócrates.
Em nome de uma geração que acredita ainda ser possível afirmar a nossa liberdade, termino com a convicção de que o Dr. Paulo Portas, o Dr. Miguel Esteves Cardoso e o Dr. Luís Nobre Guedes têm ainda muito para nos dar.
Porque Miguel, é muito bom ler os seus livros mas merecemos mais, porque Paulo e Luís, queremos voltar um dia a protagonizar o sonho de um projecto político ganhador.
Também nós na altura certa, estaremos dispostos a assumir as nossas responsabilidades no combate pela liberdade e pelo futuro.

Jorge Madrugo Garcia
Vogal da CPC Lisboa CDS-PP

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