Terça-feira, Novembro 08, 2005

Distintos do PS e do PSD

O dirigente democrata-cristão António Lobo Xavier afirmou hoje que o partido "tem um problema de marca", defendendo que o CDS tem de acabar com "certos mitos" para se distinguir quer do PS quer do PSD.
"O CDS tem um problema de marca. Durante muito tempo procurámos explicar porque éramos diferentes do PSD (...) Hoje começamos a ter de explicar porque somos diferentes do PS no Governo", diagnosticou Lobo Xavier, um dos oradores das jornadas parlamentares do CDS, que terminam hoje em Estremoz.
Para o dirigente democrata-cristã, "um partido com as características do CDS tem de assumir com coragem soluções nem sempre politicamente correctas mas absolutamente necessárias que passam pela destruição de certos mitos".
"Por exemplo, o mito de que os impostos servem para fazer justiça. Num país com a dimensão de Portugal, os impostos não servem para fazer justiça mas para financiar o Estado", afirmou Lobo Xavier, defendendo que a justiça deve ser feita através de prestações sociais selectivas e no modo como se financia a educação e a saúde.
Outro "mito" que o dirigente do CDS procurou destruir é o de que, em tempos de crise, as empresas devem ser sujeitas a impostos mais pesados.
"Os impostos sobre as empresas acabam, mais cedo ou mais tarde, por ser impostos sobre as pessoas. Tributar as empresas é apenas uma questão de tesouraria do Estado", afirmou.
Outro dos oradores das jornadas do CDS, o empresário Carlos Moreira da Silva, foi ainda mais longe e defendeu o fim do IRC e, até, do Ministério da Economia.
"Quem deve ser tributado são as pessoas físicas. Os lucros das empresas estão mais bem entregues nas mãos dos empresários do que nas do Estado", defendeu Moreira da Silva, presidente da empresa vidreira Barbosa e Almeida.
Para Lobo Xavier, só o CDS pode praticar este discurso, já que tanto PS como PSD defendem a consolidação orçamental apenas em nome de "sacrifícios transitórios" porque "têm a secreta esperança de que tudo pode voltar a ser como era ".
"PSD e PS têm muita coisa em comum", afirmou, dando como exemplos deste "mimetismo" a atitude dos dois maiores partidos portugueses face à concorrência e a forma de administração das grandes empresas públicas.
"Está por fazer o balanço que trouxe à economia o modo como foram geridas em Portugal as grandes empresas públicas - GALP, EDP, PT - pelos dois partidos,", afirmou.
Num painel dedicado ao Orçamento do Estado para 2006 - sobre o qual o CDS já anunciou votar contra - Lobo Xavier definiu qual deve ser a "obsessão" do partido.
"Obcecados pelo défice não somos, obcecados pela consolidação orçamental e redução da despesa e peso do Estado isso sim, somos", afirmou.
"Não estamos satisfeitos por o equilíbrio orçamental ser feito à conta das receitas, não estamos satisfeitos com a falta de metas quantificadas de redução de despesa, não estamos satisfeitos com um Orçamento com um sector público deste tamanho", afirmou, justificando o voto contra do CDS à proposta orçamental do executivo.
Também o ex-vice-presidente do CDS António Pires de Lima, que moderou o último painel das jornadas do CDS, apontou baterias ao anterior parceiro de coligação, o PSD.
"Nós votamos contra o Orçamento de Estado por convicção. Há quem vá votar contra este Orçamento de forma envergonhada, depois de analisar muitos estudos", afirmou Pires de Lima, referindo-se implicitamente aos sociais-democratas, que responsabilizou, tal como o PS, pelo actual peso do Estado na economia.
Notícia LUSA
Ler e ouvir: RR

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