sábado, fevereiro 03, 2007

Portas: atraso país não é culpa da globalização mas do Estado

O ex-presidente do CDS/PP, Paulo Portas, defendeu na sexta-feira, em colóquio sobre temas económicos, que o país tende a culpar a globalização para justificar o seu atraso quando os problemas são internos e do Estado.
«É fácil dizer que a culpa está na globalização quando está no Estado pesadíssimo, na burocracia, no sindicalismo do século passado e num capitalismo habituado a estar encostado ao Governo e ao Estado», disse Paulo Portas em Torres Vedras num debate organizado pela concelhia local do CDS/PP.
«Não devemos culpar a globalização por problemas que são nossos», sublinhou, acrescentando que outro sinal de atraso em relação a outros países é o de «só há pouco tempo se ter descoberto o valor da gestão».
Referiu ainda que a política fiscal nacional «tem um grau de pressão não competitivo. Pagam-se impostos de nível europeu sem que os serviços sejam de nível europeu».
Defendeu o investimento estrangeiro em Portugal «desde que cumpram as relações contratuais e desde que os portugueses tenham os mesmos benefícios que os estrangeiros». «O mal não está no investimento, quem pensa que é possível fechar a economia está enganado», frisou.
Sem nunca referir expressamente as viagens do Presidente da República à Índia ou do primeiro-ministro à China, comentou: «Levamos empresas portuguesas à Índia e à China, mas quando falamos com empresários, onde eles se sentem mais amigavelmente tratados é em Angola ou nos antigos países de expressão portuguesa ».
Durante a sua intervenção, na única ocasião em que se referiu ao actual Governo fê-lo de forma irónica. «Uma teoria da globalização diz que quando uma borboleta bate as asas na China sente-se o vento em Lisboa, na mesma teoria da globalização quando um ministro diz uma asneira na China se calhar em Lisboa era melhor deixar de o ser», ironizou.
Paulo Portas falava para uma plateia de mais de uma centena de pessoas na sua maioria pertencentes à distrital de Lisboa.
Muito crítico do socialismo, defendeu que «a globalização é infinitamente preferível ao socialismo».
«A única alternativa à globalização é o proteccionismo económico ou o socialismo e esse preço não estou disposto a pagar», disse.
«É indiscutível, a globalização reduziu a pobreza», salientou sustentando que há 30 anos havia 1500 milhões de cidadãos pobres e hoje há 700 a 800 milh ões de pessoas a viver nessas condições.
«O que mudou foi a entrada nas relações económicas internacionais de do is dos países mais populosos do mundo (China e Índia) não havendo dúvidas do enriquecimento da globalização.» Ao contrário, frisou, «não há nenhum país que queira voltar a ser socialista».

in Diário Digital / Lusa

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