CDS exige que ministro aceite «aspectos maus» da governação
O CDS-PP exigiu hoje ao ministro da Saúde que «aceite os aspectos maus» da governação, referindo-se ao aumento generalizado do preço dos medicamentos não sujeitos a receita medica apontado pelo Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS).
«Um Governo que se quer responsável deve assumir o bom e o mau da governação, estes são aspectos maus», sublinhou, em declarações aos jornalistas no Parlamento, o líder parlamentar Nuno Melo, que no último debate mensal com o primeiro-ministro se referiu a este aumento do preço dos medicamentos.
No seu sexto relatório anual, o OPSS sustenta que a «informação disponível aponta para o aumento generalizado dos preços dos Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica (MNSRM) face ao período prévio à liberalização», salientando que «os preços de venda ao público nestes novos estabelecimentos são, na generalidade, superiores aos preços praticados nas farmácias».
No entanto, o ministro da Saúde, António Correia de Campos, já refutou esta conclusão, e acusou a OPSS de «falta de rigor» e credibilidade.
Em declarações à Agência Lusa, António Correia de Campos afirmou que a conclusão a que chegou o Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS) «não corresponde à verdade» e que o organismo «não a fundamenta».
O ministro da Saúde asseverou que esta leitura «não corresponde à realidade» e adiantou que, segundo uma amostragem feita pela autoridade regulamentar do sector, referente a este mês, e realizada em 44 das 161 lojas já autorizadas a vender fármacos sem receita, o preço destes medicamentos está «cinco pontos mais baixo do que a base observada em Agosto de 2005».
«Esta atitude revela uma visão governativa de conveniência sobre os organismos que têm a obrigação de fiscalizar a acção do Governo», acusou Nuno Melo.
«Os medicamentos estão mais caros nos hipermercados relativamente às farmácias, estão genericamente mais caros que há seis meses e há até genéricos mais caros que os medicamentos de marca», afirmou o líder parlamentar do CDS, recuperando as acusações feitas em plenário no final de Maio e que foram então desmentidas pelo ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva.
Para Nuno Melo, este relatório «justifica uma nova atitude do Governo».
«Aguardamos com muita expectativa a primeira intervenção do Governo em plenário, para que, através do ministro dos Assuntos Parlamentares ou outro, seja capaz de ter sobre este assunto uma palavra por iniciativa própria», apelou.
- Diário Digital / Lusa






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