segunda-feira, janeiro 07, 2008

Portas acusa Constâncio de ter fechado os olhos a ilegalidades

O líder do CDS-PP, Paulo Portas, acusou hoje o governador do Banco de Portugal de ter «fechado os olhos» às eventuais ilegalidades em investigação no Banco Comercial Português (BCP), considerando que «ninguém lhe paga» para andar distraído.
«Se, e a metáfora é do ministro das Finanças, o Banco de Portugal é o polícia, é bom que alguém lhe diga que o problema é que o polícia fez de conta que não viu, fechou os olhos, andava distraído, assobiou para o lado», afirmou Paulo Portas, em declarações aos jornalistas, no Parlamento.
O ministro de Estado e das Finanças, Teixeira dos Santos, considerou domingo «injustificável a todo o título» críticas que possam pôr em causa a independência das autoridades que investigam as denúncias de ilegalidades e eventuais ilícitos criminais no BCP, o Banco de Portugal, a CMVM e o DIAP.
«Não faz sentido que, quando uma casa é assaltada, se corra atrás do polícia, faz sentido que corra atrás do ladrão», afirmou Teixeira dos Santos.
Paulo Portas considerou hoje que «não é possível ter um governador do Banco de Portugal, que ganha um dos melhores salários do regime, a andar distraído».
Depois de Vítor Constâncio ter dito hoje, em entrevista à RTP, que está disponível para ir ao Parlamento prestar esclarecimentos, como foi solicitado pelo CDS-PP e PSD, Paulo Portas reafirmou que proporá um inquérito parlamentar se as respostas do governador não forem satisfatórias.
«O que é que ele sabia, quando soube, o que é que fez e o que é que devia ter feito à luz da lei», são as perguntas que Paulo Portas disse querer ver respondidas, frisando que o BdP «como supervisor do sistema bancário, é o garante da legalidade dos actos mas também da idoneidade da gestão e das boas práticas».
Na entrevista à RTP, Vítor Constâncio afirmou que «tudo foi feito pelas autoridades para garantir a estabilidade da governação futura do BCP» e defendeu que as «irregularidades mais importantes» imputadas ao BCP «resultam de factos que foram ocultados» ao regulador do sector bancário «em anteriores inspecções».
«O Banco de Portugal tem ainda poderes de auditoria. Se ele é o polícia, andou distraído e não é para isso que os contribuintes lhe pagam», reiterou o presidente do CDS-PP.
in Lusa

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