sexta-feira, fevereiro 09, 2007

"Não" encerra campanha no Coliseu

Os movimentos do "não" à despenalização do aborto acusaram o "sim" de ter "uma atitude fria que banaliza o aborto", considerando que está a aumentar entre os portugueses "o sentimento contrário ao aborto livre".
"Muitos portugueses sentem, na proposta do 'sim', uma atitude fria que banaliza o aborto (...) é também por isto que o 'sim' se afasta, dia após dia, um pouco mais do coração e da sensibilidade das mulheres e da sociedade portuguesa", afirmou Isabel Neto, médica e mandatária da plataforma Não Obrigada, numa declaração conjunta dos 14 movimentos cívicos contra a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez.
No encerramento da campanha em Lisboa, ontem à noite, no Coliseu dos Recreios, Isabel Neto defendeu que o "não" tem tido uma campanha moderada e "em crescendo", depois de hoje terem sido conhecidas duas sondagens que dão a vitória ao "sim" no referendo de domingo.
"Nos últimos meses os argumentos do 'não' fizeram o seu caminho, aumentando na população portuguesa o sentimento contrário ao aborto livre até às dez semanas", frisou.Por outro lado, a mandatária da plataforma defendeu que "a maioria dos portugueses não vê como um bem, nem como uma prioridade, a utilização dos seus impostos para financiar a prática de abortos".
Isabel Neto retomou igualmente o argumento de que a despenalização aumentaria o número de abortos: "Em Espanha por cada 100 nascimentos realizam-se hoje 19 abortos, em França por cada 100 nascimentos realizam-se hoje 27 abortos, em Inglaterra por cada 100 nascimentos realizam-se hoje 29 abortos"."Não é esta a sociedade que os portugueses querem construir para o seus filhos", defendeu.
in Público