Um magnífico texto de Amizade
Sairá amanhã para as bancas a revista "Sábado", onde Miguel Esteves Cardoso (MEC)publica uma crónica que dá pelo nome de: "Os Cinco Magníficos".
Nela, diz de Paulo Portas (e transcrevendo):
O Paulo que todos conhecemos
A declaração de Paulo Portas foi, sem dúvida, a mais dramática, comovente e genuína da noite das eleições. Era óbvio que tinha chorado e era óbvio que faria chorar aqueles que acreditam nele.
A história da "dignidade" só terá sido surpresa para quem não votou nele; sempre desconfiou dele; quis ardentemente que se demitisse e assim enfraquecesse o CDS que tanto fortaleceu. Os portugueses adoram demissões - faz parte do nosso fado.
Tenho de confessar já que, para muitos que votaram nele (muitos pela primeira vez), foi um choque terrível. Falo de familiares e grandes amigos que, perante tal responsabilização, se sentiram traídos ao ponto de jurarem, indignados, que nunca mais votariam nele.
Mas a população portuguesa é grande e diversa e o gesto de respeito democrático do Paulo serviu para confirmar o que sempre souberam aqueles que o conhecem: é um democrata; é sincero; tem princípios invioláveis.
Foi o senhor que é.
Portas: um senhor na hora do adeus
Para mim, foi libertador ouvi-lo falar em Deus e dizer que se estava "nas tintas" para o que se dissesse. Como foi também o desabafo que achava estranho que, num país civilizado, os trotskistas tivessem apenas ponto e tal de diferença dos democratas-cristãos.
Paulo Portas está-se a reencontrar, mas é espantoso que tenha conseguido acabar - junto das pessoas que não são nem conservadoras nem de direita nem sequer liberais - com as velhas desconfianças que, em qualquer país (por mais civilizado que seja, diga-se), atinge sempre as pessoas excepcionalmente inteleigentes, dedicadas e leais.
A desconfiança agora restringe-se a um reduto pateticamente insuficiente e minimal: que a posição dele se deveu ao facto de não ter paciência para passar quatro anos no Parlamento, a fazer oposição.
Pois sim ... O Paulo é a oposição no sentido mais eficaz e bonito que pode ter. Sempre foi. Agora é tudo mais claro. Mas o mal é só de quem não foi capaz de ver. Dele não é. Por outras palavras, o mal é nosso. Não lhe pertence.






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