Defesa de modelo absurdo durante ano e meio prova malefícios de maioria absoluta de um só partido
Paulo Portas, considerou sexta-feira à noite que a defesa, pelo Governo, de um “modelo absurdo” de avaliação dos professores durante ano e meio prova os malefícios de uma maioria absoluta de um só partido.“Se houver um princípio de acordo isso é bom para o ano lectivo, para os professores, alunos e escolas e deixa as famílias tranquilas”, afirmou, quando questionado pelos jornalistas no Porto sobre a suspensão das greves regionais convocadas pelos docentes para a próxima semana.
As greves regionais foram suspensas após uma breve reunião com o secretário de Estado Adjunto e da Educação, onde a tutela aceitou realizar a 15 de Dezembro uma reunião "onde tudo estará em cima da mesa".
As greves regionais foram suspensas após uma breve reunião com o secretário de Estado Adjunto e da Educação, onde a tutela aceitou realizar a 15 de Dezembro uma reunião "onde tudo estará em cima da mesa".
“A pergunta que eu faço é: porque é que andámos um ano e meio a discutir um modelo que era absurdo, que o Governo, aos poucos e poucos, teve de reconhecer que era absurdo, mas que teimosamente quis manter contra todas as evidências porque tem a maioria absoluta”, disse.
Paulo Portas, que falou após uma sessão da sua recandidatura à liderança do partido, já tinha afirmado, na sua intervenção, que era manifestamente contra qualquer maioria absoluta de um só partido, por ela conduzir inevitavelmente à “arrogância e incapacidade de perceber que os outros podem estar certos”.
“Durante dois anos defendeu-se um aeroporto no sítio errado. Durante ano e meio impôs-se um sistema de avaliação dos professores absurdo, tudo porque têm a maioria absoluta e acham que podem e sabem tudo”, criticou.
O líder do CDS/PP defendeu que Portugal precisa de “uma cultura de compromisso e de negociação, ao lado de uma necessária cultura de autoridade”.
Portas manifestou a disponibilidade do seu partido para dar um eventual “contributo” a essa “cultura de compromisso”, nunca através de qualquer coligação formal mas sim discutindo “lei a lei” no parlamento de acordo com “um caderno de encargos baseado em compromissos com o eleitorado do CDS/PP”.
“O CDS deve crescer por si, autónomo, independente, com as suas bandeiras e os seus quadros. A minha prioridade não é fazer coligações, é manter firme o meu contrato com o eleitorado que em nós confia e isso significa definir um caderno de encargos, que significa o que o CDS considera essencial para o país”, afirmou.
Num cenário de maioria relativa do partido que forme governo, Portas afirmou que o CDS vai “lei a lei fazer prevalecer aquilo de que o país precisa”.Sem especificar com que partidos e Governos está disposto a negociar “lei a lei”, Paulo Portas considerou porem, repetidamente, que PS e PSD hoje em dia são partidos demasiado parecidos.
“Entre PS e PSD há demasiadas semelhanças para uma verdadeira alternância. É a República do Bloco Central em que o país vive. Entendem-se política atrás de política. Aconteceu no Código Penal, na imigração e no referendo europeu. Até são parecidos na questão dos impostos”, disse.
O líder centrista adiantou que o caderno de encargos em que quer basear-se para qualquer eventual negociação passará obrigatoriamente por temas como uma reforma fiscal “de grande alcance para reduzir carga sobre classe média”, uma “fiscalidade amiga da família”, uma política de segurança “reforçada”, uma imigração “controlada” e uma justiça “virada para o funcionamento da economia e para a dissuasão da criminalidade”.
Portas repetiu as críticas violentas que tem feito ao Orçamento de Estado e ao “saque fiscal” que diz estar previsto naquele documento, nomeadamente com “a maior despesa pública e a maior apropriação fiscal da história da democracia”.
“Temos um primeiro-ministro que diz que em 2009 vamos viver melhor devido à descida do petróleo e das taxas de juro. Mas isso não depende de nenhum primeiro-ministro do Mundo. Do que José Sócrates não fala é do que depende dele: o desemprego, a queda do poder de compra, as pensões mais baixas e as dificuldades dos jovens e das PME”, disse.
Considerando que um OE tem de ser realista, Paulo Portas lamentou que o do Governo tenha “aspectos surrealistas”.
LusaEtiquetas: Educação, Paulo Portas





1 Comentários:
Qualquer maioria absoluta é prejudicial: há no entanto maiorias, como a desta ditadura socialista que só fazem política e há outras que governam!
«Seja qual for o sistema de responsabilidade encontrado para o exercício da governação pública, uma coisa é essencial aos governos – a autoridade, no sentido de possibilidade constitucional e efectiva de governar. E não pode crer-se que se chegou a boa solução quando os diferentes poderes funcionam de tal sorte que os governos ou não existem ou não governam: defendem-se. Se os grupos partidários a cada momento se consideram candidatos ao Poder com fundamento na porção de soberania do povo que dizem representar, a maior actividade – e vê-se até que o maior interesse público – não se concentra nos problemas da Nação e na descoberta das melhores soluções, mas só na luta política. Por mais propenso que se esteja a dar a esta algum valor como fonte de agitação de ideias e até de preparação de homens de governo, tem de pensar-se que onde ela atinge a acuidade, o azedume, a permanência que temos visto, todo o trabalho útil para a Nação lhe é ingloriamente sacrificado. Tem de distinguir-se, pois, luta política e governação activa: os dois termos raro correrão a par».
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