Quarta-feira, Novembro 26, 2008

Portas quer o CDS com 25 mil militantes activos



Paulo Portas vai lançar uma campanha de novas adesões ao CDS, visando atingir os 25 mil militantes activos, e prepara uma “fortíssima intervenção nas escolas, mobilizando os seus dirigentes, deputados e quadro”. No plano eleitoral, o líder do PP quer “transformar as eleições europeias na primeira oportunidade para o eleitorado sancionar no Governo socialista e reduzir a votação nas forças do Bloco Central”.
Estas ideias constam do documento de orientação política com que Paulo Portas se vai apresentar às eleições directas do próximo dia 13, e que só ontem foi tornado público, através do site do partido. De acordo com o regulamento de eleição directa do presidente do partido, o documento deveria ter sido apresentado até às 24h00 do passado dia 21 de Novembro, é isso que o ponto 4º do 1º artigo do regulamento estabelece.
No documento, ainda sem lema político, Portas diz que “é cada vez mais necessário que o país se afaste da República do ‘Bloco Central’” e reitera as linhas principais da estratégia política que tem vindo a defender publicamente: “o CDS-PP afasta cenários de coligações ou acordo parlamentares”. “A nossa opção será decidir em função do nosso caderno de encargos”, assume o presidente do PP no texto, prometendo um grupo parlamentar firme na fiscalização ao Governo. O líder do CDS-PP e candidato único a um novo mandato à frente do partido mostra-se determinado na defesa das políticas de supervisão, regulação e concorrência", que, frisa, deverão ser "visíveis no plano das lideranças escolhidas".
Acusando “PS e o PSD de serem em demasiadas matérias sucedâneos nas políticas e nas práticas”, Portas não poupa o "bloco central de interesses", pondo em causa a independência dos dois maiores partidos, PS e PSD. "Qualquer português percebe que a independência destes dois partidos está limitada pela dependência que ambos têm de nomear e prover o pessoal partidário na Administração Pública, nas empresas do Estado (...) e até nos reguladores, nos supervisores e nas entidades públicas independentes", afirma.
Ainda a nível da estratégia que defende, Portas entende que “o congresso deve e enunciar, além das propostas a aprovar, os pontos mais relevantes do discurso europeu do CDS recordando, nomeadamente, a necessidade de a construção europeia ser realista e escrutinável do ponto de vista democrático”. E é neste contexto que critica, ainda o PS e o PSD por se terem recusado a referendar o Tratado da União Europeia. E aproveita para os responsabilizar pelo “afastamento dos eleitores em relação à política”. Cultura e políticas energéticas fazem também parte das prioridades de Portas, áreas para as quais defende a criação de dois "grupos de missão" semelhantes aos que foram constituídos para a Natalidade e para o Voluntariado.
Em termos de mandato a que se candidata, o presidente do partido anuncia no texto que vai propor ao XXIII Congresso, marcado para 17 e 18 de Janeiro nas Caldas da Rainha, a recondução do secretário-geral, João Almeida, e defende a nomeação de um secretário-geral adjunto para o trabalho de implantação do partido nas cidades e capitais de distrito. Pede às estruturas do partido para que acelerem o programa de apresentação de listas, quer “250 concelhias eleitas, com base estável e permanente”, e assume que um dos objectivos é fazer crescer o CDS, mas, desta vez, não arrisca metas. Para não se comprometer.


in Público

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