CDS quer ministro da Justiça no parlamento para explicar declarações do director nacional PJ
O CDS/PP vai pedir a presença no parlamento do ministro da Justiça, Alberto Costa, para explicar as declarações do director Nacional da Polícia Judiciária, disse hoje à Agência Lusa o deputado Nuno Melo.O director Nacional da PJ, Alípio Ribeiro, disse sábado, em entrevista ao programa "Diga Lá Excelência", da Rádio Renascença/RTP2/Público, que poderá ter havido precipitação na constituição como arguidos dos pais da menina inglesa desaparecida de um aldeamento turístico no Algarve, em Maio de 2007.
Hoje, o ministro da Justiça manifestou confiança no director Nacional da PJ.
"O facto de o director nacional da PJ continuar em funções significa tudo o que penso sobre essa matéria", disse Alberto Costa ao ser questionado sobre as declarações de Alípio Ribeiro.
Para o CDS/PP, a reacção do ministro da Justiça foi "completamente insuficiente", tendo em conta que Alípio Ribeiro fez "uma declaração de extrema gravidade".
"Isto é demasiado sério, grave e extremo para que o Sr. ministro da Justiça diga simplesmente que mantendo o director Nacional da PJ no lugar significa a confiança que nele tem, não pode ficar por aí", disse Nuno Melo.
O deputado do CSD/PP sublinhou igualmente que a declaração de Alípio Ribeiro "matou a investigação criminal", uma vez que afectou o Ministério Público no que toca à credibilidade de uma investigação criminal.
O processo do desaparecimento da menina britânica Madeleine McCann é o "mais mediatizado de sempre da PJ portuguesa", referiu, adiantando que a declaração "além da questão judicial, afecta directamente a imagem de Portugal no mundo".
"Das duas uma: ou a afirmação do director da PJ é verdadeira, e isso significaria um sistema judicial completamente fora de controlo, ou a afirmação é falsa e nesse caso o Dr. Alípio Ribeiro não podia ficar nem mais um dia à frente da PJ", sublinhou.
Segundo Nuno Melo, Alberto Costa não devia demitir Alípio Ribeiro mas sim dar explicações.
A entrevista de Alípio Ribeiro suscitou reacções do presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, que criticou que os responsáveis de organizações falem sobre processos pendentes e do advogado português do casal McCann que apelou ao cumprimento do Dever de Reserva.
Na sequência da entrevista, o porta-voz do casal inglês defendeu que as autoridades portuguesas devem retirar o estatuto de arguidos ao casal.
A menina britânica Madeleine McCann desapareceu a 03 de Maio de 2007 de um aldeamento turístico na Praia da Luz, Lagos, Algarve, tendo o mistério e a aparente falta de pistas sólidas e motivações para explicar o sucedido contribuído para transformar este caso num dos processos mais mediáticos de sempre.
Já depois de os próprios pais terem sido constituídos arguidos no inquérito, o processo foi declarado a 14 de Janeiro de especial complexidade, o que permitiu prolongar o prazo do segredo de Justiça por mais três meses.
Lusa






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