Opinião - Os Novos Pobres
“Vemos, lemos, ouvimos, não podemos ignorar”. Os dados da Rede Europeia Anti-Pobreza interpelam a consciência de cada um de nós. 20% dos portugueses vivem abaixo do limiar da pobreza. Mais de 2 milhões de pessoas vivem em Portugal com menos de €360 por mês. Esta é uma pobreza que não afecta só os que eram tradicionalmente os mais desprotegidos: os idosos, os doentes, os excluídos.
Os “novos pobres” são em muitos casos trabalhadores, gente que trabalha 8 horas por dia, 40 horas por semana e que vive só do seu salário, sem receber qualquer prestação social. Dizem os mesmos dados que 14% dos portugueses que trabalham estão em risco de privação.
Ao mesmo tempo que a pobreza cresce, aumenta o fosso entre os mais ricos e os mais pobres. 20% dos portugueses concentram em si 80% da riqueza nacional.
A mobilidade social, factor distintivo das sociedades que valorizam a ética e o valor do trabalho, desapareceu.
Com estes números, pode-se mesmo questionar se existe uma classe média, causa e condição de qualquer sociedade livre de mercado.
Podemos apresentar vários factores para este atraso. A baixa taxa de qualificação dos trabalhadores (e empregadores), as altas taxas de abandono escolar, o laxismo de um sistema de educação que não ensina para o mérito e para a capacitação profissional, a baixa taxa de produtividade, a obesidade de um Estado que gasta metade da riqueza que é produzida no País.
Os pequenos indicadores que vamos tendo são péssimos. Um sistema de ensino em que quem falta e não se esforça é tratado de forma igual a quem trabalha e quer ir mais longe, um sistema fiscal que tributa quem tem pensões a partir de €470 são medidas injustas e sinais no sentido errado.
Mas o que mais falta é uma ideia condutora, um desígnio, uma esperança, que faça também da erradicação da pobreza um objectivo nacional.
Os “novos pobres” são em muitos casos trabalhadores, gente que trabalha 8 horas por dia, 40 horas por semana e que vive só do seu salário, sem receber qualquer prestação social. Dizem os mesmos dados que 14% dos portugueses que trabalham estão em risco de privação.
Ao mesmo tempo que a pobreza cresce, aumenta o fosso entre os mais ricos e os mais pobres. 20% dos portugueses concentram em si 80% da riqueza nacional.
A mobilidade social, factor distintivo das sociedades que valorizam a ética e o valor do trabalho, desapareceu.
Com estes números, pode-se mesmo questionar se existe uma classe média, causa e condição de qualquer sociedade livre de mercado.
Podemos apresentar vários factores para este atraso. A baixa taxa de qualificação dos trabalhadores (e empregadores), as altas taxas de abandono escolar, o laxismo de um sistema de educação que não ensina para o mérito e para a capacitação profissional, a baixa taxa de produtividade, a obesidade de um Estado que gasta metade da riqueza que é produzida no País.
Os pequenos indicadores que vamos tendo são péssimos. Um sistema de ensino em que quem falta e não se esforça é tratado de forma igual a quem trabalha e quer ir mais longe, um sistema fiscal que tributa quem tem pensões a partir de €470 são medidas injustas e sinais no sentido errado.
Mas o que mais falta é uma ideia condutora, um desígnio, uma esperança, que faça também da erradicação da pobreza um objectivo nacional.
Pedro Mota Soares
Deputado CDS-PP





0 Comentários:
Enviar um comentário
<< Home