sexta-feira, setembro 07, 2007

Opinião - Outro Caminho

A abertura de um novo ano político é sempre um momento digno de registo e permite antecipar o que acontecerá até ao próximo Verão. Começam a desenhar-se estratégias, a revelar-se agendas e notar-se diferenças.

A estratégia do PS é clara, o partido deve ser tão discreto quanto possível, o Governo deve corrigir os erros dos últimos tempos e o Primeiro-Ministro ocasionalmente terá a maçada de se interessar pela vida dos portugueses.

O PS estando no Governo prescinde de assinalar partidariamente a abertura do ano político. Ou seja, o PS só existe do Governo e para o Governo. Mau sinal, uma vez que, era desejável saber por exemplo, o que o Grupo Parlamentar do PS vai fazer em relação aos Vetos do Presidente da Republica. Vai insistir num Estatuto do Jornalista pouco próprio de um democracia? Vai teimar na alteração do equilíbrio nas hierarquias militares no caso da GNR? Vai deixar cair a responsabilidade extracontratual do Estado? Tudo isto ficou sem resposta porque o PS não passa cartão ao país. Claro está, que a seu tempo Sócrates decidirá e os seus Deputados agirão em conformidade.

No PSD a crise é cada vez mais estrutural. Ninguém acredita que ganhe quem ganhar as eleições directas – e o resultado é-me completamente indiferente – o PSD não recuperará a liderança da oposição. Perdido em discussões sobre quem é mais barão, quem foi mais cavaquista ou quem vai embora primeiro, o PSD deixa transparecer um cada vez maior sentimento de “has been”. Do discurso de reentre fica mais uma promessa de baixa dos impostos, como em 2002. O pior é que o PSD, tal como o PS, já prometeu e depois não cumpriu. Novidades, nada de registo.

Quanto ao ex-Bloco de Esquerda, actualmente conhecido como PS-B, voltou em força na defesa do seu partido principal. Na ausência de opinião do PS sobre uma eventual baixa dos impostos, logo o líder do PS-B, Francisco Louçã, se apressava a gritar que nem pensar. Louçã depois do acordo de Lisboa, resolveu assumir a estratégia de colagem ao PS. Resta saber se nas Legislativas de 2009, o sucesso do vinho da Ajuda ou das corvinas do Tejo já chegaram para resolver os problemas financeiros da Câmara Municipal de Lisboa, e ainda sobraram para resolver os do país. Merece ainda destaque o facto de Gualter Baptista ter sido desconvidado para a rentrée do ex-Bloco de Esquerda, o PS-B não pode ser trotskista e dar-se com “esse tipo de gente”, mas claro não hesita em ser estalinista e apagar da fotografia quem não é útil que apareça.

O PCP vive a sua tradicional jornada de luta, neste caso contra o calor que terá tornado mais difícil a montagem da Festa do Avante. Nesta, preparam-se para comemorar os 90 anos da “gloriosa” Revolução de Outubro, discutindo a sua actualidade. Palavras para quê?.. São artistas comunistas.

Enquanto tudo isto acontecia, havia um Partido que preparava o novo ano político com debate interno de temas importantes, com novas formas de comunicar, novos dirigentes e uma agenda clara e completa. O CDS/PP apresentou um novo sítio na Internet, dois canais de vídeo no Sapo Vídeos e no YouTube, tornando assim mais clara e directa a sua comunicação. Novos dirigentes, vindos da tão elogiada “sociedade civil” para os órgãos do Partido, discutiram temas tão diversos como a Televisão Digital, a Demografia ou as Leis Eleitorais. Quanto à agenda: o débil crescimento económico e o ataque ao contribuinte; a crise da autoridade de Estado e a confusão na Imigração; a falta de liberdade de escolha e rigor na educação, são temas que constituem uma agenda focada mas completa.

Veremos como evoluem todas estas realidades ao longo do ano político, mas algo me diz que daqui a um ano já se notará que em 2009 haverá outro caminho…
João Almeida
Secretário-Geral do CDS-PP

0 Comentários:

Enviar um comentário

<< Home