sexta-feira, setembro 07, 2007

Entrevista ao Coordenador Nacional Autárquico

Estava à espera de ser nomeado para o cargo de coordenador nacional autárquico do CDS-PP?
(Pausa) Senti uma grande angústia, no início. Eu tinha a noção que, tendo apoiado o dr. Portas da forma que o fiz, podia ter como consequência natural convites para novas funções mas estava longe de imaginar que o convite seria este. Não vai ser tarefa fácil.

É dos cargos mais difíceis. Mas fui sempre dos que, dentro do partido, defendeu e defende que o CDS-PP tem vocação autárquica, embora os resultados nem sempre o confirmem.

Temos vindo a perder câmaras e hoje o cenário é este: disfarçam-se alguns resultados com coligações, mas em candidaturas próprias temos apenas a Câmara de Ponte de Lima.

Acho, que o CDS tem vocação e tradição municipalista, mas sempre se dedicou pouco e tarde às eleições autárquicas, nem sempre escolheu as melhores pessoas ou a melhor estratégia. Exemplo de vocação e tradição temos o de Viseu.
São 16 anos de dr. Fernando Ruas [PSD] mas o traço de Viseu é de Engrácia Carrilho, mesmo a grande obra da Avenida da Europa foi pensada por Engrácia Carrilho (CDS/PP).

É isso que lhe causa angústia?
O partido, de facto, foi perdendo capacidade de luta, não tem bases muito sólidas. Para um partido que não se alimenta da máquina do Estado, cuja militância assenta essencialmente em pessoas da iniciativa privada, as eleições autarquias são um problema a dobrar, porque envolvem muita gente.

Mas fundamentais para o partido se afirmar?
Eu diria mesmo que são o nosso sindicato.

Por onde vai começar?
Numa estreita colaboração com a secretaria-geral, vou começar por ajudar na implantação do partido. Depois, começar a fazer listas, e já é tarde, fazendo convites à sociedade civil, absorvendo independentes, conversando com o nosso parceiro potencial de coligação, o PSD.
No fundo, resolver um dos problemas do partido que era tratar tarde das eleições autárquicas. Tentar convencer o partido que não é nenhuma fatalidade perder eleições, que em muitos municípios não seremos uma candidatura ganhadora, mas poderemos ser relevantes para a qualidade da democracia e da gestão municipal, não entrando na lógica de que só vale concorrer para ganhar.
No fundo, com três princípios, coragem, convicção e verdade.

Parece estar a antecipar uma derrota?
Não sinto é a pressão de ter de ganhar x câmaras ou duplicar determinado resultado. Sinto que tenho que fazer um trabalho de base, que pode, a prazo, dar resultados, que é possível crescer de forma sustentada, tal como se fez com as coligações.

O que gostaria de ter da parte do partido nas próximas autárquicas?
Candidaturas corajosas de gente que gosta de ir a votos e que parasse de se queixar. Temos que ser menos “calimeros” e ser mais activos, mais competitivos.

Quais são os maiores receios?
O maior receio vai ser de conseguir candidatos que tenham o perfil que referi e que acreditem que há um papel fundamental a fazer, numa autarquia.
O grande problema é ultrapassar alguma falta de convicção que vem do clima interno que ficou destes congressos e de um passado próximo do partido.

Tem a noção que o PSD pode vir a romper com algumas coligações?
Tenho, mas não me preocupa. Antes de responder mais em concreto, tenho que fazer uma avaliação do país.

in Jornal do Centro, edição de hoje

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