sexta-feira, junho 08, 2007

Portas acusa Governo de Sócrates de "empobrecer os portugueses"

O líder do CDS-PP, Paulo Portas, acusou hoje o Governo socialista de ter empobrecido os portugueses, sublinhando que o poder de compra teve a maior baixa desde 1984.
"Para encontrar um resultado tão sombrio é preciso recuarmos 22 anos. Até agora, consigo no Governo, os portugueses empobreceram", acusou Paulo Portas, no arranque de uma interpelação pedida pelo CDS-PP ao Governo sobre a perda do poder de compra.
Portas enumerou quinze "factos" que, na sua opinião, contribuíram para a quebra do poder de compra, entre os quais a diminuição da poupança dos portugueses ou a quebra do consumo privado.
O líder do CDS-PP criticou ainda o aumento da carga fiscal ao longo dos "816 dias" de Governo socialista.
"Se não rectificar, arrisca-se a ser o Midas dos impostos: em tudo o que mexe taxa, em tudo o que toca tributa", criticou.
Portas considerou que não é só a classe média a ser afectada por estes factores - agravados pela subida das taxas de juro pelo Banco Central Europeu - mas também os mais pobres.
"Está a agravar-se em Portugal o fosso entre os ricos e os mais pobres", disse o líder democrata-cristão, acusando ainda o Governo de penalizar os idosos.
Considerando que Portugal continua a divergir da média europeia e que a situação das empresas piorou, Portas questionou o primeiro-ministro sobre o destino "dos sacrifícios dos portugueses".
"Não foi para financiar as SCUT que se fizeram tantos sacrifícios", disse, estimando em 500 milhões de euros o custo das auto-estradas sem portagens ao longo dos últimos dois anos.
"Quando houver margem de crescimento é para esbanjar num projecto chamado Ota, que custa mais de 3.500 milhões de euros, sem contas certas e sem contabilização de custos?", criticou Portas.
Na resposta, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, lembrou que o CDS integrou o Governo entre 2002 e 2005.
"Não pode adoptar a pose virginal de quem nunca assumiu responsabilidades", disse.
Para Santos Silva, a diferença entre o Governo PSD/CDS-PP e o executivo socialista está precisamente no destino dos sacrifícios dos portugueses.
"Hoje como ontem pedem-se sacrifícios às pessoas e famílias. Mas, quando a direita governou, os sacrifícios foram em vão, hoje os sacrifícios têm sentido porque estão a ser resolvidos os problemas do país", defendeu o ministro.
Santos Silva recordou que, com o Governo PSD/CDS, existiu recessão em 2003 e a "destruição de 37.000 empregos líquidos em três anos", enquanto o executivo PS conseguiu um crescimento de 2,1 por cento e criou 41.000 empregos.
"Temos de continuar a seguir no mesmo caminho, não desistir, folgar ou hesitar a meio", frisou.
Para Santos Silva, o CDS é "co-responsável por uma governação que reduziu o poder de compra dos portugueses e agravou os problemas estruturais da economia e das finanças nacionais".
No início da interpelação, o CDS-PP questionou a ausência no debate do ministro da Economia, Manuel Pinho, que está em Bruxelas, num Conselho de ministros sobre Energia.
"O sr. ministro da Economia é uma espécie de lobisomem: toda a gente sabe que existe mas nunca ninguém o viu", ironizou o deputado do CDS-PP Mota Soares.
in Lusa