Opinião - Devolver a cidade aos lisboetas
O desenvolvimento de Lisboa não se gera por decreto, não se alimenta de portarias nem se concretiza com estadualismos. Apenas um candidato que entenda esta premissa básica pode estar em condições de servir a cidade e proporcionar uma viragem significativa que deixe este estado de coisas para trás.Ao contrário do que pensam grande parte dos candidatos, não cabe à Câmara Municipal de Lisboa a elaboração de grandes e magnânimos projectos de desenvolvimento, ao jeito de quem constrói uma cidade com régua e esquadro. Muito menos, pode a autarquia servir para o desenvolvimento de projectos e caprichos políticos, como se a cidade fosse um jogo de simcity e os lisboetas meras peças de um jogo.
Esse tem sido, aliás, um dos mais sérios problemas que tem afectado a gestão da cidade de Lisboa. Entretidos nos seus sonhos para a cidade, os presidentes de Câmara têm descurado a verdadeira essência da missão de uma autarquia: gerir a cidade em parceria com os lisboetas. Em prol de obras do regime, tudo o resto fica por fazer. Em nome de projectos grandiosos, a qualidade de vida dos lisboetas tem ficado para trás. Mais do que isso, a autarquia tem funcionado como empecilho ao usufruto da cidade. Como justificar processos de licenciamento infindáveis, que se perdem pelos corredores, e que impedem os lisboetas de construir o seu futuro? Como justificar que para o exercício da sua actividade e para o desenvolvimento económico da sua vida, os lisboetas tenham de deparar-se com obstáculos vários em vez de uma verdadeira via verde que lhes permita começar já o seu futuro?
Quem olhe para a forma como a Câmara Municipal se relaciona com os lisboetas apenas encontra desconfianças injustificadas face a estes, e inconcebíveis e intoleráveis dúvidas quanto à sua capacidade de decisão. Ora, Lisboa é dos lisboetas. E têm de ser afastadas todas as barreiras que os impedem de viver a sua cidade como entendem e como merecem.
Penso que esta candidatura do Telmo Correia, porque o conheço, assim como à sua equipa, vem funcionar como sinal de esperança, de que a cidade de Lisboa não está condenada a viver de costas voltadas para as pessoas.Esta é uma candidatura que se recusa a ignorar as vontades e as liberdades dos lisboetas, que respeita os direitos de propriedade e as liberdades individuais, que não força proibições ilegítimas nem procura fazer da cidade um balão de ensaio de engenharias sociais.
Sem ceder a chantagens, é hora de assumir um pacto com os lisboetas e de trabalhar juntos no aproveitamento dos recursos que temos e no ordenamento do que existe. Sem as pessoas, nada se faz. Contra as liberdades das pessoas, pouco se poderá fazer. Não é possível continuar a insistir num sistema através do qual todas as restrições são admitidas sem qualquer compensação ou benefício. Em que políticas de regulação são empreendidas apenas tendo em vista os beneficiários, descurando ou ignorando os prejudicados. Em que toda a cidade anda a toque de caixa dos caprichos de um presidente.Em que o essencial está por fazer.
Cabe pois a esta candidatura demonstrar que os lisboetas podem viver e usufruir a cidade, atribuindo-lhes o papel central da construção do futuro. Só assim se abrirá uma constelação de oportunidades rumo à dignificação das condições de vida, à convivência intergeracional, à competitividade e ao investimento. Devolver a cidade aos lisboetas deve, por isso, ser o maior objectivo desta candidatura.
Cabe pois a esta candidatura demonstrar que os lisboetas podem viver e usufruir a cidade, atribuindo-lhes o papel central da construção do futuro. Só assim se abrirá uma constelação de oportunidades rumo à dignificação das condições de vida, à convivência intergeracional, à competitividade e ao investimento. Devolver a cidade aos lisboetas deve, por isso, ser o maior objectivo desta candidatura.
Adolfo Mesquita Nunes
Vice-Presidente da Concelhia de Lisboa






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