sábado, maio 19, 2007

A nova orientação do CDS/PP

Portas regressa para tentar fazer do CDS um partido ao nível da chamada "nova geração" da direita europeia. É a mesma pessoa que volta, para apresentar-se aos congressistas em Torres Novas, no XXII congresso do partido.

Entretanto, percebeu a evolução dos tempos e das aspirações. E, importante, deixou de temer a palavra "competição". "O partido tem de ser competitivo", afirma ao JN, na linha do que fez o líder dos "tories" ingleses, David Cameron, que "conseguiu retirar o partido da resignação política".O líder do CDS aprecia os caminhos da direita europeia depois de os ver testados por líderes europeus como David Cameron, bem colocado nas sondagens para as próximas legislativas, ou Nicolas Sarkozy que acaba de se tornar no presidente da França.

Ter uma agenda política focada na qual sobressaem os temas da saúde, do ambiente e do desagravamento fiscal; ter um discurso protector no que diz respeito à segurança dos cidadãos e liberal na iniciativa económica são as actuais prioridades temáticas do líder do CDS. Dos novos temas destacam-se "a questão demográfica, a evolução das famílias e o incentivo do voluntariado".Tudo matérias que fazem parte da "evolução" que Portas vê com interesse fazer-se ao nível europeu. "É interessante a evolução da democracia-cristã na Alemanha, com Angela Merkel, a transição do gaulismo tradicional para novos valores em França, com Sarkozy, a ruptura com a resignação feita por David Cameron", refere Portas.

A escolha da saúde, na linha do que faz na sua moção de estratégia - corrigir a visão de que a direita quer privatizar a saúde, mantendo o essencial do SNS mas reformulando-o para lhe dar mais eficácia e prontidão - é o decalque do projecto do inglês David Cameron que, distanciando-se da linha tradicional de Tacher (que quis reformar o sistema de saúde mas não conseguiu), não toca nalguns ganhos conseguidos por Tony Blair.

O mesmo segue Portas para os outros temas que desenvolve na moção e que levará ao congresso, tendo por base sempre a ideia do "gradualismo"."É preciso ter muito cuidado com as mensagens que se passam e como se passam", afirma. "É preciso ter inteligência para explicar a mensagem". Esta é mais uma nova - e central - preocupação de Portas abandonar chavões e explicar mais a posição do CDS. "O CDS tem de saber lidar com os preconceitos que tem de si próprio". Haverá, por isso, que testar a proposta do líder de criação de correntes dentro do partido que ponham de manifesto as sensibilidades internas. Esta é outra das ideias repescadas, quer à direita francesa, quer à inglesa.Portas quer integrar todos os sociais-cristãos, os que têm intensas preocupações ambientalistas, os conservadores...

in Jornal de Notícias

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