quarta-feira, março 28, 2007

Terreiro do Paço sem 'arrumação' à vista

Os mais recentes espaços não oficiais do Terreiro do Paço - um restaurante, uma loja de vinhos e o Lisboa Welcome Center - foram criados há perto de sete anos, no final do mandato de João Soares à frente do município da capital. Depois disso, muitas cartas de intenções se escreveram, mas, até ao momento, das esplanadas, cafés, restaurantes, museus e hotéis de charme prometidos nada se viu.
Na semana passada, o secretário de Estado da Administração Interna anunciou a intenção governamental de, em breve, os serviços daquele ministério abandonarem o edifício que ocupam na ala norte daquela praça de forma a que ali se instale um hotel de cinco estrelas.
Para Maria José Nogueira Pinto (a vereadora do CDS/PP que impulsionou a elaboração do plano de revitalização da Baixa-Chiado), este é "um bom prenúncio de que as propostas do documento foram bem acolhidas pelo Governo que lhes está a dar andamento". Mas da Câmara de Lisboa, Nogueira Pinto não diz o mesmo.
"O plano está parado na Assembleia Municipal de Lisboa", sublinha. Porém a presidente da AML contesta.
A libertação do Terreiro do Paço dos carros oficiais e dos ministérios foi bandeira eleitoral de Pedro Santana Lopes e até chegou a ser anunciada a deslocalização de alguns serviços para a Ajuda, Carnide e Chelas. Contudo, tal objectivo de campanha acabou por ficar pelo caminho. A decadência socioeconómica da Baixa-Chiado, que se tem acentuado de há duas décadas para cá, determinou que uma intervenção integrada (que até implica a permanência de serviços oficiais na Praça do Comércio) fosse o mais indicado para conseguir salvar o conjunto patrimonial que é a Baixa Pombalina.
Durante anos, colóquios, estudos, debates e planos analisaram até à exaustão o problema da desertificação. Ainda na presidência de Santana Lopes elaboraram-se trabalhos preparatórios para a candidatura da Baixa a património mundial, mas também estes ficaram em standby . Em Setembro de 2006, o comissariado para a revitalização da Baixa- -Chiado, nomeado por Maria José Nogueira Pinto, apresentou uma proposta de plano após seis meses de preparação.
A ruptura no seio da coligação PSD-CDS/PP e a posterior crise na autarquia abrandou o ritmo da operação de reabilitação urbana que levará 15 a 20 anos a executar. Neste momento, seis comissões da AML - Administração e Finanças, Ambiente, Urbanismo e Mobilidade, Habitação e Reabilitação, Intervenção Social e Cultura e Plano Director Municipal - analisam o documento.

in DN
(texto de Luísa Botinas)

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