sexta-feira, março 16, 2007

Opinião - Pensar (bem) a imigração

Quando vi pela primeira vez, no Nimas, o filme de Sérgio Tréfaut, confesso que não ia preparada para aquele murro no estômago que foi essa coisa extraordinária de "os" ver e ouvir falar entre "eles", "deles", de nós e sobre nós.
"Eles" são os imigrantes que aportam e peregrinam por Lisboa. Muitos e de diversas origens, com motivações e sonhos próprios, somatório de tantas histórias particulares que não cabem em formulários, não figuram nas estatísticas, mas desfiam-se nas imagens sóbrias, limpas, impressivas e, contudo, estranhamente serenas de Tréfaut.
Talvez por eu ter tido estatuto de refugiada e depois de imigrante, ter estado sentada em frente de homens fardados que me colocavam perguntas irrespondíveis (que sabem eles do nosso desconcerto...), a mãos com papéis verdes, formulários difíceis de preencher, aos quais sempre me faltava pôr um sim ou um não num quadrado quando tudo para mim era nem sim nem não, por ter sentido quando andava nas ruas que, a qualquer momento, alguém "devidamente autorizado" me podia perguntar que fazia eu ali, talvez por tudo isto "eles" ficaram parte de mim, muito para além do que foi o meu destino.

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Maria José Nogueira Pinto
Vereadora da CML

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