sexta-feira, março 09, 2007

Crescimento da economia em 2006 foi "medíocre"

O porta-voz do CDS-PP para as questões económicas, Fernando Paes Afonso, considerou hoje, em declarações à Lusa, que o crescimento de 1,3 por cento da economia portuguesa no ano passado é "medíocre", porque continua a divergir da média europeia.
O Instituto Nacional de Estatística (INE) anunciou hoje que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,3 por cento no ano passado, face a 2005, a um ritmo superior ao esperado pelos analistas e pelas principais instituições internacionais, mas inferior ao previsto pelo Governo.
O crescimento assentou no aumento de 8,8 das exportações, em volume, o ritmo mais alto de evolução das vendas ao estrangeiro desde 1995, fazendo com que a procura externa líquida contribuísse com 1 ponto percentual para o crescimento do PIB, pela primeira vez desde 2003.
Em declarações à agência Lusa, Paes Afonso afirmou que os dados registados são "um sinal positivo", "representam uma melhoria global do desempenho da economia", mas mostram que o crescimento português está "completamente dependente da procura externa".
"É preciso saber quais os destinos das exportações portuguesas, mas este crescimento de Portugal acontece numa altura em que a Europa cresce 2,8 por cento", afirmou.
"E numa altura em que a Europa cresce 2,8 por cento, Portugal cresce apenas 1,3 por cento, mantendo a situação de divergência", acrescentou, rotulando o ritmo de expansão do PIB português como "tímido".
Os dados do INE indicam, também, que a procura interna cresceu 0,2 por cento, o que traduz um abrandamento de 0,7 pontos percentuais face ao registo de 2005, explicando o Instituto que as despesas de consumo final das famílias residentes foram o agregado que "mais contribuiu para essa desaceleração", crescendo 1,1 por cento, uma amplitude que é metade da apurada em 2005.
Do lado das administrações públicas, as despesas de consumo final caíram 0,3 por cento, o que contrasta "claramente", como diz o INE, com o aumento de 2,3 por cento de 2005.
O investimento continuou a cair, mas a um ritmo que foi menos de metade do registado em 2005. No ano passado a quebra da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) foi de 1,7 por cento, o que compara com uma erosão de 3,8 por cento no ano imediatamente anterior.
Para Paes Afonso, que é membro da comissão política do CDS-PP, é "preocupante a desaceleração da procura interna, nomeadamente do investimento", enquanto o consumo público caiu menos do que devia.
"São visíveis constrangimentos internos, no consumo e no investimento, consequência da pressão fiscal, que foi a via escolhida pelo Governo para cumprir o PEC [Pacto de Estabilidade e Crescimento] em 2006", explica.
Por isso, diz, "só mesmo um medíocre pode ficar satisfeito com o crescimento registado em 2006", acrescentando que estes "são motivos que convidam a uma mudança de paradigma".
Notícia: Lusa

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