OTA: PR deve infundir bom senso no Governo
"Pedimos ao Presidente da República que actue no quadro do que designei de magistratura de exigência, no cruzamento da cooperação estratégica com a estabilidade dinâmica, e infunda bom senso no Governo", afirmou Ribeiro e Castro, num almoço na sede do CDS-PP sobre o futuro aeroporto da Ota.Aliás, o líder democrata-cristão deixou mesmo um aviso ao executivo socialista, caso o Governo não altere a sua decisão de construir um novo aeroporto na Ota.
"Em 2009, se o PS perder a maioria, todo o projecto da Ota será parado, esteja na fase em que estiver", disse, convidando o PSD a fazer idêntica declaração.
"Acreditamos que a incerteza assim introduzida no futuro do investimento forçará finalmente a interrupção imediata do projecto e conduzirá o Governo a trabalhar num quadro de consenso alargado", explicou.
Para Ribeiro e Castro, "a Ota é um investimento desastrado" e "Lisboa não precisa de um novo aeroporto" mas "de outro aeroporto que complete a Portela" , nomeadamente para servir as companhias 'low-cost'.
A mesma posição foi manifestada pelo orador convidado pelo CDS para este almoço, o jornalista Miguel Sousa Tavares, que sublinhou "não estar suficiente mente esclarecido" sobre as vantagens da construção de um novo aeroporto da Ota.
"Quem é que pediu um novo aeroporto?", questionou, considerando que os únicos beneficiários da Ota serão "as empresas de obras públicas, as companhias de seguros, os bancos, os escritórios de advogados e as empresas de estudos".
Para Sousa Tavares, "o aeroporto tem de estar onde estão os seus passageiros", salientando que 85 por cento dos utentes da Portela moram na região da G rande Lisboa.
O jornalista contestou também o argumento do Governo de que o aeroporto "se pagará a si próprio", sublinhando que, além dos 25 por cento que o Estado terá de comparticipar, têm de ser também contabilizadas as receitas que deixará de cobrar, ao passar a concessão da Ota para privados durante décadas.
"Parece que é um aeroporto SCUP (sem custos para o utilizador público) (...) Mas a Ota SCUP vai custar aos contribuintes pelo menos o dobro do preço da sua construção em receitas não cobradas", vaticinou, estimando em dez mil milhõ es de euros esse valor.
Miguel Sousa Tavares afastou também a ideia de que o novo aeroporto seria mais seguro do que a Portela, "sem relevo nem montanhas", ao contrário da Ota , situada "numa zona de nevoeiros".
O jornalista previu ainda que, com a construção da Ota, situada a 55 quilómetros de Lisboa, "vão acabar os voos de negócios" para Porto ou Madrid.
"Para todos os efeitos Lisboa passa a ficar 50 quilómetros mais longe da Europa e do mundo", lamentou.
Notícia LUSA






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